ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 05/11/2022
O discurso da filosofa Simone Beauvior: “o mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles”, representa toda construção que a sociedade brasileira teve para que hoje houvesse forte discriminação às doenças mentais. Nesse contexto, avalia-se que a falta de empatia social e a omissão estatal conduzem tal cenário.
Sob essa ótica, salienta-se que a falta de empatia social é de caráter individualista, dado que ela acarreta uma insensibilidade com a dor do outro, ao perpetuar a desigualdade social. Em consonância com essa realidade, cerca de 50 milhões de brasileiros sofrem algum tipo de doença mental -segundo dados da Associação Brasileira de Psiquiatria-, e a esses milhões de cidadãos é apresentada uma perspectiva em que o estigma associado às doenças mentais se torna um obstáculo à integração social e vida plena em sociedade.
Paralelo a isso, avalia-se a definição de saúde dada pela OMS: “estado completo de bem estar físico, mental e social”. Simultaneamente, destaca-se a omissão do Estado ao relacionar o termo “mental” com a saúde do indivíduo desde a Idade Média, visto que naquela época as pessoas com doenças mentais eram associadas a demônios pela igreja com o forte apoio do Estado. Nesse sentido, se torna notório a negligência estatal ao delinear uma estrutura que os cidadãos com sofrimento psíquico recebam o devido suporte.
Portanto, para que aconteça uma ação efetiva na quebra do estigma associado às doenças mentais no Brasil, é preciso que o Ministério da Saúde designe recursos e projetos bem estruturados ao RAPS - rede de atenção psicossocial à população-, pois será visado o devido acolhimento a esse grupo. Além disso, será necessário o apoio do Ministério da Educação, porque este decorrerá nas instituições de ensino projetos que tenham como objetivo o rompimento do preconceito ligado às doenças mentais. Dessa forma, poderá ser visto no meio social um Estado e uma sociedade que não o conduzam a um cenário tão desigual e individualista.