ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 08/11/2022

A constituição federal de 1988, documento mais importante do país, prevê em seu artigo 6°, o direito à saúde como inerente a todo cidadão brasileiro, porém quando se observa o estigma em relação as doenças mentais, percebe-se que, por muitas vezes, a própria população com todo seu preconceito e descriminação impede que tal prerrogativa seja aplicada na prática, dificultando assim, a universalização desse direito social tão importante. Deste modo, faz-se imperiosa a análise dos fatores que corroboram com a perpetuação desse quadro.

Em uma primeira análise, é importante ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater esse estigma, a medida que, o estado não dá a devida visibilidade e importância para as doenças mentais frente à população, logo, dá espaço para que, cada vez mais, existam pessoas desinformadas e preconceituosas sobre doenças tão presentes no cotidiano da sociedade brasileira. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, se configura como uma violação do “contrato social”, já que o estado não cumpre seu papel de assegurar que os cidadãos desfrutem de direitos sociais tão importantes, como a saúde mental, o que infelizmente é evidente no país.

Ademais, é fundamental apontar o descaso e a falta de interesse por informações relacionadas as doenças mentais como importante impulsionadora desse estigma imposto às mesmas. “o mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles”. Essa afirmação, atribuida a filósofa Simone de Beuvoir, pode ser facilmente aplicada a esse preconceito que continua a ser alimentado, já que mais escandaloso do que o preconceito em si, é a inércia da população no tocante a transformação desse cenário. As informações não são esclarecidas e o número de pessoas incapacitadas por falta de saúde mental, que um dia foi irrelevante, cresce e hoje a depressão chega a estar entre as três causas que mais afastam pessoas de seu emprego.

Depreende-se portanto, que é necessário que medidas sejam tomadas a fim de mitigar essa problemática. Em primeiro lugar, é imprescindível que o Ministério da Saúde, exponha a informação, as características e os dados a respeito de doenças que afetam cada vez mais a saúde mental da população, por meio de cartilhas, propagandas nos meios de comunicação e palestras nas escolas, a fim de conscientizar a população e principalmente os jovens sobre doenças mentais, tratamentos e da importância de não tratar alguns sentimentos como “normais” ou como “frescura”. Assim o estado cumprirá o seu papel previsto no “contrato social”, tal como afirma John Locke.