ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 09/03/2023
O livro “Holocausto brasileiro”, de Daniela Albex, denuncia a desumanização sofrida pelos indivíduos considerados mentalmente enfermos que viviam no maior hospício do Brasil. Na obra, os pacientes, que em sua maioria não possuiam diagnóstico, eram tratados por meio de métodos arcaicos e agressivos. Nesse sentido, a temática da narrativa está intimamente ligada à sociedade brasileira atual, visto que o estigma associado às doenças mentais perdura devido a omissão do Estado e do preconceito.
É relevante abordar, primeiramente, que a indiligência estatal acerca dos transtornos da mente potencializa a falta de tratamento da população. Segundo a Organização Mundial da Saúde,o Brasil é o país com o maior número de casos de depressão da América Latina e, mesmo diante desse cenário alarmante, os cuidados para com os portadores dessas condições, quando oferecidos, não são, na maior parte das vezes, eficazes. Isso ocorre pela falta de investimento em clínicas e centros especializados, fazendo com que portadores de baixa renda não obtenham a devida assistência. Por conseguinte, tal problemática segrega e marginaliza a parcela menos afortunada.
Outro fator impreseindível é que, socialmente, os transtornos psiquiátricos são associados à loucura e desequilíbrio, uma vez que a saúde mental ainda é considerada tabu. Consoante a isso, Arthur Fleck, personagem do filme norte americano “Joker”, escreve em seu diário que “o pior lado da doença é que as pessoas esperam que você se comporte como se não a tivesse”. Nesse viés, existe o fortalecimento das dificuldades de convívio social, em virtude da discriminação, pois o indivíduo, temendo o julgamento, se afasta cada vez mais do corpo social.
Portanto, torna-se imperativo que o Ministério da Saúde, juntamente com o Estado, o direcionamento de verbas para a contratação de profissionais que possam intensificar e criar novos atendimentos psiquiátricos públicos, com a finalidade de melhorar a saúde mental da população. Ademais, cabe ao Ministério das Comunicações a divulgação de informações nas redes midiáticas sobre a importância do respeito às pessoas com doenças psicológicas. Mediante a essas ações, realidades como a do “Holocausto brasileiro” não tornarão a se repetir