ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 28/03/2023

A obra “Holocausto Brasileiro”, da escritora e jornalista Daniela Arbex, retrata as péssimas condições do maior hospital psiquiátrico do país, na cidade de Barbacena. Nesse livro, os pacientes são tratados por meio de métodos arcaicos e invasivos, desde agressões psicológicas até choques elétricos, demonstrando a violência sofrida por indivíduos portadores de transtornos psíquicos. Assim, além de expor os abusos do sistema de saúde da época, o texto também é atual, uma vez que o preconceito e a omissão estatal perpetuam o estigma associado às doenças mentais no Brasil.

Em primeiro lugar, cabe ressaltar que a falta de informação da sociedade brasileira é o principal catalisador da problemática. De fato, o avanço da tecnologia e dos meios de comunicação é responsável pela rápida disseminação de notícias, principalmente no meio digital, mas isso não significa que os cidadãos se encontram mais conscientes acerca de temáticas sociais. Dessa forma, mesmo que diversos estudos atuais demonstrem a relevância da saúde mental e a legitimidade dos distúrbios psíquicos, as raízes de uma intolerância generalizada ainda questionam a veracidade da doença. Consequentemente, os indivíduos portadores de transtornos psicológicos vivem em um meio degradante de discriminação estrutural, enfrentando constantemente a invisibilidade presente na sociedade brasileira. De acordo com a escritora nigeriana Chimamanda Adichie, a rotulação de grupos sociais através de uma característica marcante é responsável pela criação de histórias únicas, as quais são repletas de preconceitos. Nesse viés, ao negligenciar a complexidade das pessoas com distúrbios mentais, devido a estigmas baseados no estereótipo de incapacidade ou de invalidez desses indivíduos, a sociedade míope alimenta uma visão eugenista e tóxica, limitando as diversas possibilidades de manifestação do ser humano.

Ademais, a ausência de compromisso do Estado para com a saúde mental dos cidadãos é outro ponto que fomenta o estigma criado sobre o problema. De certo, a falta de incentivos financeiros na área da psiquiatria e na acessibilidade é a realidade enfrentada no país, resultando nos diagnósticos tardios e na exclusão de uma parcela significativa da sociedade que necessita de cuidados especiais.