ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 15/04/2023

Em sua obra ‘‘Holocausto Brasileiro’’, a célebre escritora Daniela Arbex relata as negligências e violências sofridas pelos pacientes psiquiátricos do antigo Hospital Colônia de Barbacena entre 1930 a 1980, em Minas Gerais. Apesar dessa realidade ter ocorrido no século XX, a marginalização da população acometida por algum distúrbio mental ainda é uma marca do Brasil atual, sendo consequência do estigma relacionado a essas enfermidades. Esta conjuntura se deve, essencialmeten, à falta de informações sobre o assunto e gera a diminuição da busca por tratamento pelos doentes.

Sob esse viés, é importante ressaltar que a desinformação sobre psicopatologias é evidente no país. Nesse sentido, segundo a antropóloga Lilia Schwarcs, há uma prática de eufemismos no Brasil, ou seja, determinados problemas tendem a ser suavizados e não recebem o destaque necessário. Essa crítica é materializada quando se trata das doenças mentais, uma vez que o Estado não cria uma política de visibilidade acerca desse tema, pois não há propagandas nas mídias sociasis sobre essa pauta. Com isso, a ignorância da população prevalece e o preconceito sobre os transtornos da mente perpetuam termos pejorativos como chamar um paciente neuroatípico de ‘’louco’’, o que inferioriza essa pessoa e relembra da segregação retratada por Daniela Arbex em seu livro. Assim, é notório que ações públicas são imprescindíveis para a mudança desse contexto.

Além disso, a discriminação associada aos distúrbios mentais colabora com a pouca procura por tratamento. De acordo com o filósofo Arthur Schopenhauer, ‘‘o homem toma os limites dos próprio campo de visão como os limites do mundo’’. Nessa linha de raciocínio, o estigma sobre enfermidades da mente presente no país alimente pensamento irreais como a questão que o cuidados sobre a saúde mental é ‘‘frescura’’. Devido a isso, parte da população