ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 20/05/2023

Durante o enredo do livro “Triste Fim de Policarpo Quaresma”, de Lima Barreto, o personagem principal, Policarpo, é acometido por uma enfermidade psiquiátrica que faz com que as pessoas se afastem de sua presença. Do mesmo modo, percebe-se a exclusão social de indivíduos portadores de doenças mentais na sociedade brasileira em decorrência do estigma associado a esses problemas. Junto a isso, a falta de comprometimento estatal em informar a sociedade a respeito desses distúrbios evidencia-se como uma das causas do preconceito em questão. Diante disso, faz-se necessária a análise dessa temática.

Em primeiro lugar, é válido ressaltar que o Estado mostra-se com um agente do prejulgamento em foco. Isso ocorre porque esse setor negligencia a disseminação de conhecimentos de transtornos mentais, como sintomas e comportamentos, na esfera civil, algo que, consequentemente, leva o imaginário popular à discriminação de sujeitos mentalmente atípicos. Nesse sentido, esses pensamentos podem conduzir, como exemplo, à associação de doenças mentais com aspectos religiosos negativos, como a demonização. Logo, fica clara a maneira em que o governo impacta na perpetuação da aversão citada.

Somado a isso, a exclusão social de pessoas com enfermidades psiquiátricas destaca-se como uma consequência do preconceito discutido. Isso se deve à imaginação estigmatizada da sociedade acerca das afecções pautadas, assim como pontuado anteriormente, que acarreta, como efeito, ações excludentes relacionadas à segregação espacial e interpessoal em indivíduos psiquicamente anormais, assim como a situação de distanciamento da obra de Lima Barreto. Dessa forma, ficam explícitas as complicações do prejulgamento de patologias psíquicas.

Portanto, urge a solução dessa problemática. Para isso, é preciso que o Ministério da Saúde promova a disseminação de conhecimentos sobre doenças mentais na esfera civil, como comportamentais e sintomáticos, por meio de propagandas que garantam êxito nessa divulgação em meios de comunicação, como a televisão, com o intuito de amenizar o estigma associado a essas problemáticas. Espera-se, dessa maneira, que haja a inclusão social de pessoas mentalmente atípicas.