ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 18/06/2023
O filósofo e sociólogo francês Michel Foucault, em sua obra “História da loucura na Idade Clássica”, discorre sobre a percepção da sociedade acerca das doenças mentais ao longo do tempo, evidenciando o preconceito e a segregação enfrentados pelos indivíduos portadores de transtornos psíquicos. Paralelo a isso, percebe-se que no Brasil, ainda hodiernente, há a estigmatização das doenças mentais, em razão da desinformação, que resulta, muitas vezes, em tratamentos ineficazes e desumanos.
Nesse sentido, o Brasil possui um preconceito estrutural em relação às doenças mentais, mesmo sendo, conforme dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2017, o país mais depressivo da América Latina. Tal preconceito é originado pela falta de informação que permeia a sociedade brasileira, gerando lacunas que são preenchidas, em muitos casos, por conjecturas sem fundamentação científica.
Diante disso, o indivíduo portador de doenças mentais é visto, no Brasil, como um foco de periculosidade, devendo ser segregado socialmente, com o intuito de ter sua “desordem” contida. Em razão disso, no ano de 2001 entrou em vigor no Brasil a Lei da Reforma Psiquiátrica, que proíbe os ditos “tratamentos” que privavam o doente de sua liberdade e o coloca na condição de sub-humano.
Em suma, a estigmatização das doenças mentais no Brasil é um problema oriundo da falta de informação da população sobre o tema. Portanto, urge que o Estado brasileiro intervenha pra a solução desse entrave. Assim sendo, o Ministério da Saúde, na atribuição de promover a salubridade entre a população, deve criar um Plano de Ação, que atue disseminando informações confiáveis sobre as doenças mentais, por meio de veículos midiáticos e de comunicação, a fim de desmantelar o preconceito contemporaneamente enraizado e interromper a cultura preconceituosa observada por Foucault.