ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 09/08/2023
Manoel de Barros, grande poeta pós-modernista, desenvolveu em suas obras uma “teologia do traste”, cuja principal característica reside em dar valor às situações frequentemente esquecidas ou ignoradas. Seguindo a lógica barrosiana, faz-se preciso, portanto, valorizar também a problemática das doenças mentais no Brasil, ainda que eles sejam estigmatizados por parte da sociedade. Nesse sentido, mitigar os males relativos a essa temática, é importante analisar a negligência estatal e a educação brasileira.
Primordialmente, é necessário destacar a forma como parte do Estado costuma lindar com a saúde metal dos cidadãos, isso porque, como afirmou Gilberto Dimenstein, em sua obra “Cidadão de Papel”, a legislação brasileira é ineficaz, visto que, embora aparente ser completa na teoria, muitas vezes, não se concretiza na prática. Prova disso é a escassez de políticas públicas satisfatórias voltadas para a aplicação do artigo 6º da “Constituição cidadã”, que garante, entre tantos direitos, a saúde. Isso é perceptível seja pela pequena campanha de conscientização acerca da saúde metal, seja pelo pouco espaço destinado ao tratamento de doenças mentais nos hospitais e clínicas. Assim, infere-se que nem mesmo o princípio jurídico foi capaz de garantir o combate ao estigma relativo a doenças psicológicas.
Outrossim, é igualmente preciso apontar a educação, nos moldes predominantes no Brasil, como outro fator que contribui para a manutenção dos desafios para combater às doenças mentais. Para entender tal apontamento, é justo relembrar a obra “Pedagogia da Autonomia”, do patrono da educação brasileira, Paulo Freire, na medida em que ele destaca a importância das escolas em fomentar não só o conhecimento técnico-científico, mas também, habilidades socioemocionais, como respeito e empatia. Sob essa ótica, pode-se afirmar que a maioria das instituições de ensino brasileira, uma vez que são conteudistas, não contribuem no combate ao estigma relacionados às doenças mentais na sociedade contemporânea.
Em virtude dos fatos mencionados, medidas devem ser tomadas para modificar esse panorama. Logo, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com as secretarias municipais de educação, promover debates e palestras dentro das escolas, por meio de verbas governamentais, que expliquem a importância de pessoas que sofrem esse estigma na consolidação dos direitos e da representatividade da comunidade dentro da sociedade brasileira, para que crianças e adolescentes tornem-se futuros adultos conscientes do respeito e da saúde mental. Somente assim, a plena harmonia social será alcançada.