ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 26/10/2023
Em alusão a obra nonsense de Lewis Carrol, Alíce no país das maravilhas, que traz profunda reflexão do que é loucura, em especial pelo argumento apresentado pelo gato Cheshire, de que todos são loucos no local, inclusive Alice. Paralelamente na ordem social a quebra da lógica de comportamento configura como desordem mental “loucura”. Dessa maneira, em um país como o Brasil marcado por desordem e desigualdade social, anormal é não pensar em quebrá-lá.
Segundo Viktor Frankl, renomado neuropsiquíatra austríaco e percursor da logoterapia e análise existencial “A saúde mental está baseada em certo grau de tensão, tensão entre aquilo que já se alcançou e aquilo que ainda se deveria alcançar, ou o hiato entre o que se é e o que se deveria ser”. De tal forma que a crise existencial, em não encontrar sentido no que se é ou tem, resultaria em neuroses noogenicas, como depressão, vício e agressividade. Ainda, no ano de 2017 a ONU declarou a depressão como “mal do século”. Justamente o século de ascenção da meritocrático e nova ordem social.
A pressão social do “ser” e “ter”, onde é criado uma polarização do “fraco” ou “forte”, cujo estigma social para o índividuo com doença mental que não se encaixa na sociedade, é de inutilidade ou fracasso, bem como os elementos catalisadores, tais como inacessibilidade aos direitos sociais, econômicos e políticos, o resultado é a desordem e desigualdade social, promovendo assim o alto índice de doença mental no Brasil.
Portante, faz-se imprenscíndivel a ação de políticas públicas distributivas, voltadas para o grupo portador de doença mental, com serviços de informação a fim de conscientizar a população sobre a patologia, investimentos no setor de saúde com capacitação de profissionais especialistas em saúde mental, e também proporcionando assistencialismo financeiro ao portador de neurose noogenica durante período de inatividade laboral remunerada.