ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 14/10/2024

De acordo com Aristóteles, filósofo e polímata da Grécia Antiga, a virtude é considerada um pressuposto da ética, elemento indispensável para a obtenção da paz social. Entretanto, ao analisar a negligência estatal em relação ao estigma associado às doenças mentais no mundo contemporâneo, percebe-se como esse equilíbrio social não é efetivado na prática, em razão não só da falta de empatia do Estado, mas também da alienação da sociedade brasileira que se perdura de modo atemporal.

Primordialmente, é necessário apontar o desinteresse governamental como um fator para a permanência da problemática. Diante disso, conforme o filósofo John Rawls, um governo ético é aquele que disponibiliza recursos e atua de maneira eficiente para combater os empecilhos presentes na comunidade. Ademais, fica evidente que o país não é um exemplo do pensamento desse teórico, uma vez que o poder público negligencia o bem-estar do homem, bem como não promove campanhas educativas capazes de conscientizar os brasileiros e atenuar a ineficácia do governo ao ignorar os efeitos negativos, relacionados ao alto índice de indivíduos que adquiriram distúrbios e transtornos, como ansiedade e depressão, por exemplo. Outrossim, de acordo com dados do Ministério da Saúde, mais da metade do povo brasileiro sofre de ansiedade, ocasionado principalmente após a pandemia de Covid-19, ocorrida entre 2020 e 2022. Esse panorama acarreta numa situação, cujo cidadão responsável por garantir a saúde mental do indivíduo se torna apático, ao não pensar nos sujeitos que precisam de ajuda e suporte para ter uma vida considerada normal.