ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 24/10/2024
Lila Schwarcz, importante filósofa brasileiro, ressaltou em sua obra que o Brasil pratica uma “política de eufemismos”, já que alguns problemas tendem a ser suavizados e não recebem a devida visibilidade. Seguindo essa lógica, faz-se preciso necessário analisar a atual estigmatização das doenças mentais no tecido social brasileiro. Nesse sentido, a fim de mitigar os males relativos a essa temática, é importante analisar a negligência estatal e a educação brasileira.
Primeiramente, é necessário destacar como o Estado lida com a saúde mental no Brasil. Isso porque, como dito pelo filósofo Gilberto Dimenstein, em sua obra “Cidadão de Papel”, a legislação brasileira é ineficaz, tendo em vista que, apesar teoricamente universal, não tem real validade. Prova disso é a escassez de políticas que garantam a saúde mental da população-direito previsto constitucionalmente-, seja pelo pouco espaço destinado ao tratamento de doenças mentais ou pela pequena conscientização acerca da necessidade de tratamento das mesmas. Assim, infere-se que medidas diretas precisam ser tomadas para combater o estigma relacionado a doenças psíquicas.
Outrossim, é igualmente preciso apontar a educação, nos moldes brasileiros, como fator que contribui para a manutenção do preconceito contra as doenças psiquiátricas. Nesse viés, o antropólogo brasileiro Florestan Fernandes destacou que a manutenção do modelo educacional excludente é prepucial à sociedade, tendo em vista que o modelo atual fomenta apenas o conhecimento técnico, deixando de lado as habilidades sociais, como o respeito. Sob essa ótica, pode-se afirmar que a maioria das instituições brasileiras, ao negligenciarem aspectos humanos, não contribuem no combate aos estigmas relativos a doenças mentais.
Portanto, é essencial que o preconceito relacionado aos transtornos psiquiátricos tenha suas fundações desfeitas. Para tanto, urge que o Ministério da Educação crie o programa “Minha mente, minha vida”, o qual consistirá na ministração de palestras em todas as escolas públicas do Brasil visando conscientizar os estudantes sobre a importância de respeitar os pacientes com doenças mentais. Ademais, se faz mister que o referido projeto conte com a presença de psicólogos,
os quais ficaram disponíveis para consulta após as palestras.