ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 26/02/2021
Em um dos episódios da série “Sex Education”, todas as personagens femininas utilizam o mesmo ônibus para chegar a escola, a fim de dar apoio a Chloe, uma menina que havia sofrido assédio sexual dentro do ônibus e por conta disso não conseguia mais utilizá-lo sozinha. Fora dos limites ficcionais, a presença de empatia nas relações sociais, como no acontecimento da série, tem se tornado cada vez mais escassas no hodierno brasileiro. Isso se deve tanto pela lacuna presente no sistema educacional quanto pela normalização dessa falta.
Em primeiro lugar, convém ressaltar que a lacuna presente no sistema educacional brasileiro encontra-se como um dos principais empecilhos para a superação do impasse. Ademais, segundo o filósofo Immanuel Kant, a formação do homem está intrinsicamente ligada a educação que recebe. Assim sendo, a falta de debates e ensino dentro de instituições educacionais- como escolas e faculdades- sobre a prática da empatia nas relações sociais, acarreta, na não aplicabilidade desta no cotidiano brasileiro. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.
Em segundo lugar, a normalização com que se é tratada situações em que não há a empatia caracteriza-se, como outro desafio a ser enfrentado. Outrossim, de acordo com a filósofa Hanna Arendt em seu livro “A Banalidade do Mal”, situações maléficas que ganham significativo apelo populacional tornam-se aceitas como comportamentos normais. Sob esse viés, é lógico afirmar que a falta de empatia nas relações sociais brasileiras, encaixa-se na teoria da filósofa, visto que, pelo menos um tipo de crime de ódio já foi cometido em todas as Unidades Federativas do Brasil- segundo dados do Mapa do Ódio de 2018-. Dessa forma, ao observar a recorrência com que as pessoas manifestam sua falta de empatia ao outro, é imperioso afirmar que medidas devem ser tomadas para retardar tais acontecimentos.
Portanto, infere-se que, o Ministério da Educação deve realizar palestras e aulas dentro das instituições educacionais, para ensinar e debater a prática da empatia nas relações sociais, por meio da contratação de professores e psicólogos, disponibilizando, ainda, essas aulas para toda a população, com o objetivo de inserir essa prática na sociedade e diminuir a ocorrência dos crimes de ódio. Com isso, acontecimentos como o da série se tornarão cada vez mais comuns.