ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 25/02/2021

Sigmund Freud, psicanalista austríaco, afirmou que “O caráter de um homem é formado pelas pessoas que escolheu para conviver”. Sob essa perspectiva, mas, distante dela, a falta de empatia nas relações sociais configura-se como um grave problema estatal de contornos específicos, em virtude da individualização e da influência midiática sobre as relações sociais no Brasil. Diante disso, faz-se necessário repensar crenças e valores sociais, bem como intervenção governamental.

Em primeiro plano, é necessário atentar para a influência midiática presente na questão. Segundo depoimento concedido pelo órgão regulador e fiscalizador da programação televisiva no Brasil, o Ministério Público (MP), em maio de 2020 para o portal O Globo, cenas de aversão e antipatia estão frequentemente presentes em novelas e programas por “darem mais entusiasmo e atingirem o clímax da trama”. Além disso, ainda afirmou que é durante a exibição destas cenas que é registrado o maior índice de audiência. Desse modo, tem-se como consequência a influência midiática na falta de empatia das relações sociais dos brasileiros.

Ademais, a falta de empatia nas relações sociais no Brasil encontra terra fértil no individualismo da população brasileira. Esse individualismo que influi diretamente nas relações sociais torna-as desgastantes e desprazerosas para ambas as partes. Este desgaste e desprazer está diretamente associado à obra “Modernidade Líquida”, de Zygmunt Bauman, onde o autor defende que a pós-modernidade é fortemente influenciada pelo individualismo, que contribui para a superficialidade das relações sociais.

Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Para isso, cabe ao Ministério Público criar uma série de quesitos para a liberação da exibição de novelas e programas televisivos, entre eles a proibição de cenas que possam ser interpretadas pelos telespectadores como propagação de antipatia. Ao garantir isso por meio de uma avaliação criteriosa de todos os capítulos que será exibidos, a comunidade olhará de forma mais humana para o seu círculo de relações, pois, como constatou Hannah Arendt: “A pluralidade é a lei da Terra”.