ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 25/02/2021
De acordo com o psicólogo estadunidense Carl Rogers, ser empático é ver o mundo com os olhos do outro. No Brasil, dados divulgados pela Universidade de Michigan revelam que a nação se encontra em 51º lugar no ranking das mais empáticas do mundo; com isto em mente, percebe-se a enorme contradição no mito do “país acolhedor”. Analisando a realidade das relações sociais nacionais, é preciso entender os motivos que levam os brasileiros a não desenvolverem a empatia e as consequências de seus atos, uma vez que a problemática em análise deve, com urgência, ser amenizada na sociedade contemporânea.
Primordialmente, é preciso reconhecer as causas que geraram a falta de afeto e fraternidade entre os indivíduos. Desde 1500, ano em que os portugueses iniciaram a colonização brasileira, o conservadorismo — com suas crenças e tabus preconceituosos — começou a ganhar força entre os europeus brancos e cristãos que chegavam nos navios de expedição. Com o intuito de causar sofrimento ao que era diferente da visão eurocêntrica, desenvolveu-se em todo o território nacional o senso de superioridade, individualidade e a dificuldade em entender as diversidades de gênero, etnia, classe e religião já existentes.
Por consequência, percebe-se o grande apagamento histórico das relações de escravidão, servidão e branqueamento da população brasileira a fim de não desenvolver o sentimento de acolhimento e entendimento à diversidade cultural e à resistência histórica presente entre grupos minoritários de cidadãos. No período pandêmico atual, a falta de empatia — unida ao individualismo dos que não observam o mundo com os olhos do outro — mostrou-se presente nas aglomerações clandestinas, que desrespeitam as orientações de combate ao COVID-19 e auxiliam no aumento diário das taxas de ocupação nas Unidades de Terapia Intensiva por todo o país, segundo o Ministério da Saúde.
Desse modo, é de extrema importância que medidas sejam realizadas com a intenção de desenvolver o senso de empatia entre a nação. Num país que possui proporções continentais e uma história de muito sofrimento, é preciso que as escolas — por meio de investimentos das Secretarias Municipais de Educação — visem fornecer palestras sobre a diversidade étnico-racial e cultural entre os alunos, destacando e buscando estimular o respeito mútuo e a necessidade de entender as relações sociais existentes desde a infância. Seguramente, somente desta maneira ondas de esperança em um futuro mais respeitoso e empático serão levadas de norte a sul, por todo o Brasil.