ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 27/02/2021

As ações humanas na natureza ocasionam devastações irreparáveis. Com efeito social, as queimadas no Pantanal afetaram uma grande parcela do território, da saúde humana e da biodiversidade animal e vegetal, isto é, um desequilíbrio no bioma. Paralelamente, é fato que, após o avanço da tecnologia, a sociedade tornou-se ainda mais individualista e menos empática, em que a prática de crimes de ódio nas redes sociais são constantes e, também, cabe discutir as sequelas que a falta dessa capacidade pode proporcionar no aumento de transtornos mentais no país.

De início, destaca-se a dependência do indivíduo com o ambiente virtual, uma vez que o possibilita manifestar suas opiniões e selecionar vítimas em listas inacabáveis de usuários. Nessa perspectiva, segundo o método socrático, uma vida inquestionável é construída por ignorância e sem moralidade, ou seja, os conceitos que aplicamos a nós mesmos, como “bom”, “mau” e “justo”, só podem ser julgados por meio de um processo de raciocínio e questionamento. Evidencia-se, portanto, que o hábito de se colocar no lugar do outro e de interrogar as próprias atitudes, e, analisar as limitações dos seus direitos é de extrema importância para o desenvolvimento sustentável da sociedade, visto que a ausência de empatia nos impede de enxergar a necessidade do próximo.

Ademais, cabe mencionar que a escassez de compreensão gera consequências emocionais e corroboram com a ideia de evolução dos transtornos mentais, dado que as agressões verbais ocorrem tanto na internet quanto nas ruas, empresas e, até, dentro da escola. Isso pode ser explicado por dados estatísticos divulgados pela Organização Mundial de Saúde (OMS), em que aponta a população brasileira como a mais deprimida da América Latina, em seis anos, a venda de antidepressivos cresceu em 74% no país. Dessa forma, sobressai a carência de empatia e do autoconhecimento no convívio social, isto é, entender que a sociedade é composta por indivíduos com identidades diversas e a análise pessoal é fundamental para reconhecer e promover o bem-estar coletivo.

À vista disso, é preciso que medidas sejam assumidas para amenizar os impactos. Para que haja empatia nas relações sociais, urge que Ministério Público e a polícia realizem a capacitação tecnológica dos agentes, por meio de verbas governamentais, para que rastreiem quem promove crimes de ódio na internet e protejam a dignidade e a igualdade dos usuários. Além disso, é responsabilidade da escola, estabelecer uma abordagem frequente sobre o autoconhecimento e empatia, por intermédio de reuniões com a família, para que possam esclarecer dúvidas sobre o desenvolvimento e relevância dessas capacidades. Somente assim, a sociedade terá uma formação mais sustentável e biomas, como o Pantanal, não sofrerá com chamas dos não empáticos.