ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 26/02/2021
O poeta modernista João Cabral de Melo Neto enfatiza a importância do convívio grupal mútuo ao elucidar que um galo sozinho não tece a manhã, ele sempre irá precisar da ajuda de outros galos. Fora da literatura, é substancial pontuar que, ao equiparar com o Brasil contemporâneo, a manhã torna-se difícil de ser tecida em razão da falta de empatia nas relações sociais. Com isso, aspectos como a cultura de superioridade e o individualismo compactuam-se para ampliação desse cenário deletério.
A princípio, ao averiguar o quadro aludido, depreende-se que a cultura de superioridade corrobora sua expansão. Nessa perspectiva, o conceito de super-homem, idealizado pelo célebre filósofo Friedrich Nietzsche, caracteriza o indivíduo capaz de se libertar das amarras sociais e adquirir consciência autônoma. Contudo, é fundamental notar que o pressuposto de Nietzsche não ocorre no país, uma vez que grande parte dos tupiniquins vinculam a ideia da falta de aceitação de diferentes costumes, mantendo-se presos às amarras nocivas de supremacia cultural. Assim, passam a agir com indiferença em sociedade, de modo a culminar a criação de cidadãos que permeiam o discurso de ódio.
Além disso, é de suma relevância evidenciar o individualismo como propulsor da neutralidade no convívio coletivo. Nesse viés, para o famigerado filósofo Immanuel Kant, o comportamento moral deve ser orientado a partir da universalidade das ações, ou seja, se tal ação for benéfica para todos. Entretanto, é primordial destacar que o pensamento do estudioso não condiz com a realidade brasileira, posto que muitas pessoas negligenciam colocar-se no lugar próximo e realizam diversos julgamentos morais. Por conseguinte, a continuidade da postura de impassibilidade fomenta a manutenção de relações superficiais no território, implicando na falta de identidade coletiva e aumento da desigualdade social.
Portanto, diante do exposto, intervenções capazes de atenuar a falta de empatia nas relações sociais no Brasil são improrrogáveis. À vista disso, é dever do Estado, aliado às ONGs, a divulgação de políticas públicas nos meios de comunicação, por meio de anúncios interativos com profissionais capacitados, que exemplifiquem os prejuízos causados pela subjugação de outros indivíduos, a fim de efetivar uma sociedade igualitária. Ademais, o Ministério da Educação necessita realizar a implantação de projetos nas escolas de ensino público e privado, através de apresentações interativas e de debates com psicólogos, com efeito de gerar uma consciência coletiva e empática precocemente entre os tupiniquins.