ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 05/03/2021
O filósofo Arthur Schopenhauer defende que o campo de visão limitado de uma pessoa determina o seu entendimento a respeito do mundo. Sob esse viés, no que concerne à questão da falta de empatia nas relações sociais, o pensamento filosófico molda a realidade atual brasileira marcada pelo forte individualismo evidenciado na visão limitada de muitas pessoas que negligenciam se colocarem no lugar de outras.Nesse sentido, emerge um problema complexo devido à priorização de interesses financeiros e ao silenciamento em torno da situação,sendo necessário desestruturar esse panorama.
Em primeiro plano, a maior prioridade dada a fatores econômicos contribui incisivamente para a perpetuação da problemática.A esse respeito, na obra " O Capital", o filósofo Karl Marx afirma que , em uma sociedade capitalista, o foco é o capital. Nessa lógica, percebe-se a dificuldade da consolidação de práticas empáticas em um contexto voltado ,essencialmente, para o lucro, o que tem impacto direto nas relações humanas desenvolvidas em sociedade.Nesse contexto, ocorre, por exemplo,a contenção de capital para pequena parcela da população enquanto maior parte vive desfavorecida economicamente, o que mostra, muitas vezes,a falta de empatia desses pequenos grupos favorecidos ao não refletirem sobre outras realidades, por vezes deploráveis, que não compreendem o seu campo visual.Assim, é importante mitigar as raízes fortemente capitalistas em torno do impasse.
Além disso, cabe apontar a ausência de diálogo amplo existente na questão. Sob essa ótica, o pensador Habermas alega que a comunicação é uma verdadeira forma de ação. No entanto, evidencia-se uma lacuna comunicativa acerca do ato de se pensar na realidade do outro, pois a dinâmica social imediatista e de processos acelerados dificulta tal reflexão, porque menos tempo é dedicado para discutir essa mazela.A respeito disso, a influência da mídia, principalmente as redes sociais, também é decisiva para tal comunicação, tendo em vista o poder dela em difundir ideias e pensamentos ,de forma rápida e moldada no contexto tecnológico atual, para aumentar as chances de atuação no problema por meio do debate e, então, promover uma consideração ao tema.
Depreende-se, portanto, a necessidade de uma resolução para esse entrave. Posto isso, cabe ao Ministério da Cidadania formular uma campanha humanitária que estimule a empatia nas diversas situações sociais, com a finalidade de aumentar o diálogo sobre o empecilho, bem como flexibilizar o ideal capitalista ao redor das relações humanas. Isso deve ser feito por meio do relato anônimo de pessoas distintas em diferentes realidades do Brasil- para que se pense fora do cotidiano individual-, além da disponibilidade dessa campanha nas redes sociais de grande acesso, como o Instagram. Dessa maneira, o postulado por Karl, possivelmente, será amenizado no País.