ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 29/05/2021
O episódio “White Bear”, da série televisiva “Black Mirror”, retrata um futuro distópico no qual, pela ausência de empatia da sociedade para com os condenados pela justiça, a tortura é normalizada. Trazendo para o panorama brasileiro, a normalização da violência tal qual é verificada nos dias atuais, possui relação direta com a falta de empatia nas relações sociais canarinhas. Urge, pois, analizar os mecanismos de crescimento da problemática nas últimas gerações e propor soluções para mitigá-la.
Em primeiro plano, pontua-se a própria natureza das relações sociais como instrumentos de manutenção e crescimento da problemática. Segundo Durkheim, o fato social é dotado de exterioridade, isto é, já está consolidado antes do nascimento do indivíduo, uma vez que as gerações vindouras tendem a reproduzir comportamentos já enraizados na estrutura social vigente. Logo, uma sociedade não empática tenderá à manutenção - ou até ao agravamento - dessa realidade.
Outrossim, responsabiliza-se as mídias sociais pela diminuição do número de indivíduos dotados de empatia no Brasil. Adorno e Horkheimer afirmam que elas, por seu caráter sensacionalista, “anestesiem” os sentimentos da população. Ocorre, portanto, a normalização da violência nos meios de comunicação e a contínua fragmentação das relações sociais, chamada de “modernidade líquida” pelo sociólogo polonês Zygmunt Bauman.
É evidente, portanto, que a falta de empatia nas relações sociais no Brasil são agravadas pela mídia social e possuem mecanismos naturais de perpetuação decorrentes da natureza do fato social. É mister, portanto, fomentar debates entre Estado, profissionais da educação, saúde e psicologia, juntamente com a sociedade civil e aparelhos midiáticos soluções para a questão. Estas deverão focar, através do Ministério da Educação, em políticas lúdicas de conscientização nas escolas para promover o exercício consciente da empatia e o uso responsável das mídias sociais. A própria sociedade, portanto, será capaz de evitar futuros distópicos como em “White Bear”, enterrando-o na ficção.