ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 18/03/2021

O livro “Quarto de Despejo: Diário de uma favelada”, escrito por Carolina Maria de Jesus, retrata a vida na favela, marcada pela desumanização do “favelado”, feita pelos próprios moradores e, sobretudo, pelas pessoas de outras classes econômicas, as quais demonstravam indiferença à situação de fome que Carolina vivia. Décadas depois da produção textual, as relações sociais no Brasil ainda são marcadas pela falta de empatia, em razão do individualismo exacerbado, atrelado à desigualdade socioeconômica.

Primeiramente, o egoísmo é a atitude de quem demonstra pouca ou nenhuma solidariedade com o próximo. Segundo o sociólogo Zygmunt Baumman, o individualismo é o maior conflito da pós-modernidade, sendo assim, uma parcela da população tende a ser incapaz de ajudar ou respeitar o que difere de sua realidade. Haja vista que, as relações sociais são superficiais e o contato entre indivíduos é cada vez menor. Consequentemente, o país vivencia a falta de empatia em relacionamento, o que ocasiona o aumento dos problemas, como a pandemia da covid-19", a qual seria amenizada caso as pessoas respeitassem o próximo, como o simples ato de usar máscara para não transmitir o vírus.

Além disso, a distinção socioeconômica brasileira coopera para o cenário atual. Tendo em vista que, o Brasil se encontra entre os países mais desiguais do mundo, de acordo com o índice de GINI, ou seja, há muita riqueza concentrada, enquanto a maior parte da população sofre as consequências das mazelas sociais, como a fome e a precariedade educacional. Tal cenário seria diferente caso a empatia fosse um sentimento presente na sociedade contemporânea.

Em suma, é fundamental a criação de medidas para mitigar a conjuntura hodierna, em relação a falta de empatia nas relações sociais no Brasil. Cabe aos Ministérios da Cidadania e Educação, juntos, elaborarem palestras, feitas por psicanalistas, em centros educacionais, e divulgadas em mídias sociais (como o facebook), sobre a importância da empatia e os problemas do individualismo vigente a fim de que o contato humano seja cada vez mais intenso, contrariando a Modernidade Líquida de Baumann,e a desigualdade seja amenizada, com doações e demonstração de empatia daqueles que possuem recursos para tal ato.