ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 04/03/2021

Durante o século XVIII, Adam Smith -considerado Pai do Liberalismo- desenvolveu o conceito de individualismo, no qual entendia que apenas a busca pelos interesses pessoais levaria a sociedade ao progresso, de sorte que a benevolência humana representaria fraqueza. Análogo a isso, o ideal imposto por Aristóteles prevalece na sociedade hodierna, haja vista que a falta de empatia nas interaçãoes sociais dos indivíduos tornou-se um hábito comum. Nesse sentido, há de se combater a incapacidade de viver em coletividade, bem como a piorização dos interesses próprios.

A respeito desse cenário, segundo Aristóteles -expoente filósofo da Antiguidade Clássica- o ser humano é um animal político. Sobre isso, Aristóteles entendia que que os indivíduos foram criados para viver de forma coletiva, no entanto, a sociedade atual encontra-se distante de alcançar tal objetivo, uma vez que vivendo em meio a relações sociais marcadas pelo preconceito, discriminação e discurso de ódio, nem todos os indivíduos conseguem promover o bem-estar geral e se por no lugar do outro. Logo, é incoerente que, mesmo sendo nação pós-moderna, a cultura individualista continue sendo regra, visto que a empatia será exceção.

Nesse sentido, Thomas Hobbes, autor da obra “O Leviatã”, afirmou por meio da mesma que o homem é dotado de ambições e vontades que impedem o convívio harmônico entre as pessoas. Ocorre, que a crítica feita por Hobbes virou cruel realidade no Brasil, haja vista que os indivíduos são incapazes de pensar nas necessidades do outro, fazendo com que a falta de empatia dê lugar a situações que ferem a dignidade humana, como a discriminação e inferiorização do próximo, seja por sua opção sexual, seja por sua crença religiosa.

Há se mitigar, portanto, os obstáculos para promover uma sociedade empática. Nesse sentido, compete ao Ministério da Educação juntamente ao Ministério da Cultura, desconstruir, com urgência o individualismo e as demonstrações de falta de empatia, por meio de políticas públicas e educacionais que estimulem os indivíduos a se por no lugar do outro, como a criação de ações solidárias nas escolas, a fim de que os jovens entrem em contato com pessoas  e realidades diferentes das suas, e, se tornem mais empáticos e sensíveis às condições dos outros invdivíduos.