ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 06/03/2021
A tragéria “Romeu e Julieta” - escrita por William Shakespeare no final do século XVI - retratava o amor avassalador, puro e intenso de dois jovens, símbolo universal do amor verdadeiro e eterno. Todavia, na contemporaneidade, o amor tem se apresentado frágil e momentâneo, haja vista o individualismo e o aumento da demanda por redes sociais. Convém ressaltar, a princípio, a transformação da sociedade atual, referente aos valores priorizados, como geradora de um povo individualizado. Antes de mais nada, segundo o conceito de “Amor Líquido” do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, a sociedade moderna deixou de ser sólida e passou a ser fluida, ou seja, seus valores passaram a se concentrar em relações rápidas, no desapego, no egocentrismo e na busca por se encaixar em padrões rígidos de estética. Diante desse cenário, as relações amorosas se tornaram rápidas e descartáveis, de modo que o ser humano facilmente possa voltar a olhar somente para si. Nesse sentido, um caminho possível para combater o amor raso é desconstruir o principal problema da pós-modernidade segundo Bauman: o individualismo. Outrossim, o mundo teve acesso a novas tecnologicas no processo de industrialização, dentre las, o advento da internet e, junto dela, as redes sociais. Conforme a Teoria do Habitus - desenvolvida pelo sociólogo Pierre Bourdieu -, a sociedade possui padrões impostos, naturalizados e, em seguida, reproduzidos pelos indivíduos. Nessa perspectiva, com o número crescente de usuários de ferramentas de sociabilidade online, como “Facebook” e “Tinder”, tem se tornado comum a facilidade de comunicação e interação amorosa de forma virtual. Com efeito, as relações se mantêm em um patamar de distância, digital e raramente presencial, impossibilitando a profundidade da ligação emocional. Urge, portanto, que os indivíuos cooperem para mitigar a fragilidade do amor nos tempor modernos. Cabe aos cidadãos priorizarem o real interesse uns nos outros, por meio de encontros pessoais, conversas fora da rede e exercícios de sociabilidade de modo a diminuir o grau de indivudualidade. Dessa forma, o amor retratado por Shakespeare poderá sair da ficção e se tornar realidade.