ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 13/03/2021
´´9 e 6´´ são algarismos de ordens numéricas, usados para contabilizar objetos, cores e tarefas. Evoca atenção, a duplicidade óptica dos números, que concede duas visões divergentes de acordo com quem observa, assim dependendo do observador, ambos os símbolos estão corretos. Ainda respeitante à matemática, opiniões distintas no Brasil pouco são valorizadas e revelam uma terra, onde a falta de empatia reina, pois a fragilidade do código de alteridade, aliada à omissão das instituições é essência que não admite variadas interpretações da realidade.
A princípio, a permanência da alteridade é uma virtude que permite a devoção a várias opiniões e estilos de vida, além de impedir atos intolerantes. Tal acepção orquestra com a filosofia de Santa Benedita da Cruz, monja católica, responsável pela obra ´´O Problema da Empatia´´, que relata o dom em se colocar no lugar alheio para entender as emoções das pessoas. Nesse viés, a fuga do entendimento para com as situações de outrem cria ações que relegam exclusão às vítimas, principalmente no Brasil, onde as redes sociais sinfonizam a maioria das opiniões. Sobre isso, técnicas de bloqueamento social, tais como cancelamento e banimento nos grupos, são receitas que excluem vozes divergentes, assim o intolerante usurpa de uma falsa harmonia por conviver somente com o que lhe convém. Desse modo, tamponar opiniões destoantes rompe com a essência da alteridade.
Outrossim, a morosidade das instituições para enfrentar a falta da empatia nos discursos é gatilho que permite as apocalípticas convivências dos brasileiros. Essas características chocam com o íntimo da Constituição de 1988, a qual vislumbra em seus artigos, a vocação institucional em prover a harmonia, adotando meios que permitam as opiniões distintas. Nesse peculiar, inúmeras revoltas brasileiras gestaram o surgimento dessa norma, tão necessária para recordar as corporações sobre seus encargos. Em vista disso, filosofias de caráter discriminatório facilmente adentram em espaços, onde não existem ações sociais, algo traduzido para empresas que sonegam publicações de harmonia entre os funcionários. Por consequência, atos de antipatia florescem e maculam o âmago da coletividade.
Portanto, compete aos agentes sociais revitalizar atos de empatia no Brasil. Para isso, o Ministério da Educação deve notabilizar murais opinativos sobre diversos assuntos nas escolas, mediante verbas estatais, pois permitirão o diálogo entre os alunos, com fins de relegar esses valores para o ambiente externo e vociferar a alteridade. Em eminência às prefeituras, propõe-se a projeção de alas dialogais em empresas e restaurantes, com o auxílio das mídias sociais, posto que os profissionais discutirão assuntos éticos, a fim recordar as funções institucionais. Somente assim, simbolicamente, o Brasil será terra, onde o ´´6 e 9´´ serão representações da verdade de acordo com quem observa.