ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 08/03/2021
O filme “Clube dos Cinco” retrata a história de cinco jovens com perfis diferentes que são obrigados a conviver durante uma detenção escolar e nesse período acabam se conhecendo e aprendem a lidar com as diferenças. Fora da obra ficcional, é inegável que, na atual situação brasileira, ainda prevalece a intolerância e mostra-se cada vez mais necessário adquirir a capacidade de respeitar a singularidade de cada indivíduo. Nesse sentido, ao se analisar a falta de empatia nas relações sociais no Brasil, é possível perceber que a carência de conhecimento acerca de outras culturas e o individualismo contemporâneo são obstáculos às transformações que essa situação requer.
Diante dessa perspectiva, em primeira análise, é possível considerar que, o ser humano ainda vive fechado na regionalidade. Em face disso, torna-se mais difícil desenvolver um senso de empatia com uma cultura diferente, o que, consequentemente, gera uma menor tolerância com pessoas de regiões distintas, já que os costumes vão além do que se tem conhecimento e não há conviência. Por conseguinte, quando tal pensamento é potencializado, pode gerar ações discriminatórias como a xenofobia. Entretanto, a máxima do escritor Franz kafta, que cita solidariedade como um sentimento que expressa o respeito pela dignidade humana, ajuda a traçar um caminho para sociedade brasileira a fim de reverter essa cenário desarmônico pautado na escassez de empatia.
Outrossim, vale ressaltar que a era digital proporcionou um mundo focado no individualismo, em que busca-se cada vez mais ser o centro das atenções. Com isso, não sobra tempo para pensar nas necessidades do próximo, pois as pessoas estão sempre focadas em suas particularidades. Nesse viés, Zygmunt Bauman, em seu conceito de “modernidade líquida”, explica que o ser humano hordierno cultiva sentimentos superficiais, pautados no egocentrismo. Para exemplificar, quando ocorre um acidente, muitas pessoas primeiro optam em gravar a cena ao invés de chamar a ambulância, com o objetivo de ser o centro da narrativa. Logo, reafirma-se a urgência da confraternidade no Brasil.
Torna-se evidente, portanto, a necessidade de assegurar o desenvolvimento da empatia na sociedade. Para isso, é imprescindível que as escolas insiram disciplinas que ultrapassem a visão conteudista, por meio de palestras com profissionais qualificados como psicólogos, com o objetivo de mostrar a importância confraternidade. Sendo assim, permitirá a sociedade desenvolver desde a tenra idade o senso de coletividade. Concomitantemente, cabe ao governo, impor penas mais duras para os crimes de ódio, com a finalidade de frear qualquer atitude xenofóbica ou de violência. Assim, poderá se atenuar as raízes da problemática.