ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 07/03/2021
Empatia e desigualdade social
Construído durante sua história como um país cordial, o Brasil tem mostrado nos últimos anos uma face mais cruel: a de um país com pessoas egoístas e descansando em um berço de desigualdade social. A princípio, essa desigualdade demonstra a dificuldade de, como sociedade, superar o fracasso de, nem ao menos, se identificar como tal. A partir disso, faz-se necessário, desconstruir a imagem de cordialidade, e ressignificá-la em ações concretas de empatia.
Desde que colonizadores europeus desembarcaram em terras brasileiras, há evidências da necessidade de reforçar a superioridade de determinados povos e culturas sobre outros. Mesmo que sejam momentos históricos distintos dos atuais, com entendimento conceitual idem, a ausência de empatia nesses encontros entre brancos, superiores, e negros e índios, inferiores, foi uma constante, com a necessidade dos primeiros dominarem os segundos. Apesar de estar entre as maiores economias do mundo, o país continua com altos índices de desigualdade social, o que denota a perpetuação da necessidade da relação entre dominantes e dominados, e a ausência de uma empatia estrutural, mesmo que ela aconteça em ações pontuais.
Ademais, a formação da imagem do Brasil, de um país alegre e acolhedor, representado por Carmens Mirandas e Zé Cariocas, oculta aquilo que a população vivencia no cotidiano. Então, historicamente, há uma sociedade de extreta desigualdade, que vende a imagem de convivência em harmonia, com ações empáticas ocorrendo em atos menores, mas com dificuldades de se identificar como nação, de se cuidar como povo. Por exemplo, pode-se analisar a atual situação da COVID-19: as quase duas mil mortes diárias tem tido baixo efeito prático de reforço do distanciamento social, uso de máscaras e isolamento em determinadas pessoas, que poderiam fazê-lo. Ao invés disso, optam por festas e encontros clandestinos.
Enfim, exigir empatia das pessoas, onde a desigualdade social tem se mostrado desumana nos últimos séculos, parece inviável. Entretanto, conhecer quais caminhos têm levado a essa desigualdade é o passo para superá-la. Assim, os três poderes da democracia brasileira, nos três federativos, junto com a sociedade civil, devem unir esforços para qualificar os processos educacionais no país, desde a pré-escola à universidade, com o intuito ampliar o conhecimento e a visão crítica da sociedade, mediante políticas públicas de valorização da educação. Somente com investimentos pesados na educação, haverá mais igualdade social e, por conseguinte, mais identificação e empatia entre as pessoas.