ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 09/03/2021

O filme “Extraordinário”, retrata uma criança que nasceu com o rosto deformado, e sofria bullying por sua situação. De maneira análoga, hodiernamente no Brasil as pessoas não sabem ligar com as diferenças e a falta de empatia é prejudicial no relacionamento social. Sob essa ótica, a inoperância escolar no ensino, bem como a vida acelerada que deu força ao individualismo, são fatores preponderantes para o desequilíbrio nas relações interpessoais.

A princípio, é importante ressaltar a negligência de um dos setores formadores do caráter humano, a escola. Posto isso, segundo Jean Piaget, educar é criar mentes capazes de educar com bom senso e ter a sensibilidade de sentir a dor do outro. Entretanto, as escolas continuam com a antiga pedagogia de assuntos decorados, por vezes falta o ensino sobre alteridade, trabalhar em grupo lidando com as diferenças, ser um bom ouvinte e disposto a ajudar sempre que alguém precisar. Logo, são esses valores que a sociedade precisa para resolver questões como o bullying, preconceito e outros que ressaltam a superioridade de um em detrimento do outro, sendo que todos são iguais.

Ademais, convém relacionar que após as Revoluções Industriais do século XIX, a sociedade tornou-se mais individualista. Nesse aspecto, de acordo com o filósofo contemporâneo Zygmunt Bauman, as relações líquidas têm sido superficiais e líquidas. Percebe-se, nesse viés, uma comunidade que só pensa em si e nos seus prazeres, sendo a dor do outro sem nenhuma importância. Por conseguinte, os humanos se desumanizam, tornam ansiosos, depressivos, exemplo disso é que o suicídio é a segunda maior causa de morte nos jovens brasileiros, segundo o Ministério da Saúde.

Fica claro, portanto, que medidas precisam ser tomadas para resolver esses impasses das relações sociais. Em vista disso, cabe ao Ministério da Educação, como instância máxima do setor educacional, inserir disciplinas na grade curricular que tem o objetivo de formar um discente empático, que se preocupa com o seu próximo, por meio de debates, filmes exemplares e discursos na sala, em soma com trabalhos em grupos que visem a interação harmônica em meio as diferenças. Assim, o comportamento será diferente desde cedo e a máxima de Bauman se inverterá em as relações sólidas e profundas.