ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 10/03/2021
Em um dos episódios da série “Segunda chamada” após mais um caso de transfobia na escola contra a aluna Sheila, a personagem Eliete, professora de matemática, propõe uma reflexão e exercício de empatia em sala de aula no que tange a discriminação contra diferentes minorias. Fora das telas, o cenário se assemelha á realidade na medida em que, as relações sociais no Brasil foram históricamente construídas por meio da ausência de empatia e forte presença da violência, negligencia e intolerancia. Nesse conexto, vale mencionar que consoante ao pedagógo Paulo Freyre, sem a educação a sociedade nõa muda, sem ela tampouco.
A priori, pode-se afirmar que é indubitável que ao decorrer dos séculos XVI ao XXI o Brasil foi caracterizado por uma lenta mudança de mentalidade social, com raiz Eurocentrica e católico-medieval, que permanece naturalizada através dos mecanismos de construção social -escola, fmília, mídia e religião- que, ao reproduzirem discursos de ódio corrobora a ausência de empatia nas relações sociais do país. Por consequência, aumenta-se a incidência de crimes de ódio, o que configura em um grave problema social . Para ilustrar, segundo dados do “Mapa do ódio de 2018” o femicídio foi um crime cometido em todas unidades federativas.
Não obstante, vale salientar que a ausência de políticas publicas e gestão governamental eficientes em prol da empatia nas relações sociais intensificam o impasse, uma vez que ao contrário do que se pensa, a omissão e negligência do Estado são cúmplices para contínua reprodução de uma mazela. Ainda nesse contexto, vale afirmar que de acordo com o fisíco inglês Isaac Newton, sob a Primeira Lei de Newton, um corpo tende a permanecer em inércia a menos que uma força de intervenção atua e sobre. De maneira analóga, urge forças de intervenção para o impasse.
Portanto, cabe ao Governo Federal em parceria com o Ministério da Educação (MEC) alterar a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), por meio da inclusão na grade curricular de Ciências Humanas a obrigatoriedade de debates e palestras organizadas pelo corpo docente e equipe pedagógica, sobre relações sociais contemporâneas para alunos e responsáveis, a partir do ensino fundamental II e ensino médio. Com a finalidade de despertar não só o senso crítico, como também o exercício da empatia entre as relações sociais, visto que sem a educação a sociedade nõa muda, sem ela tampouco.