ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 09/03/2021
Jean-Paul Sartre, filósofo existencialista, expõe em sua obra “Os Caminhos da Liberdade” o vínculo existente entre a liberdade e a responsabilidade social, no qual as atitudes de indivíduos e instituições refletem em todo corpo social, tendo essas, por fim, a necessidade de se basearem em valores éticos. Considerando a perspectiva sartriana na análise das relações sociais, nota-se que a falta de empatia advém de valores neoliberais alinhados a uma formação humanística precária no Brasil. Desse modo, compreender as causas mais profundas dessa problemática é fator fundamental para se apontar caminhos de uma nação mais responsável.
Em primeira análise, historicamente, consolidou-se no ocidente o ideal de que os indivíduos são livres para agirem socialmente buscando seu bem. Dessa maneira, essa ação social deve vir sempre acompanhada de uma ética de responsabilidade que garanta o compromisso com o bem-estar coletivo. Contudo, o sistema neoliberal engendra valores que correm na direção contrária dessa perspectiva, ao estimular a competitividade e supervalorização do capital. Assim, cria-se a necessidade de se enquadrar sob essa óptica, o que, na ausência de uma educação emancipadora, torna o solo fértil para acentuação da desigualdade, do preconceito e, consequentemente, de relações sociais nocivas para um dos meios.
Outrossim, é indubitável a ineficácia estatal nas políticas públicas referente a construção de uma população altruísta. Nesse viés, pode-se afirmar que há a ausência de um projeto educacional capaz de aprimorar a consciência crítica dos cidadãos, para que esses pudessem optar por condutas mais empáticas, mesmo quando inseridos nos valores deste sistema. Logo, o indivíduo, desamparado, distancia-se do ideal proposto pelo filósofo francês, o que reflete negativamente em todo corpo social e afeta o desenvolvimento integral dos cidadãos.
Em suma, evidencia-se o papel falho do Estado diante dos valores degradantes do sistema vigente. Portanto, é necessário a reestruturação moral da população pautada no bem comum. Diante disso, o Estado, principal agente interventor, em consonância com os órgãos responsáveis da União deve prover essa educação. Para isso, o Ministério da Educação deve adicionar à Base Nacional Comum Curricular, do fundamental II, matéria como filosofia, e criar para todos os níveis de ensino módulos de educação baseado nas relações sociais éticas. Ademais, o Ministério da Cidadania, em parceria com as secretarias municipais, deve criar e incentivar campanhas de potencialização do altruísmo, a partir do desenvolvimento de atividades coletivas no âmbito público, como o esporte. Com isso, semear-se-ia uma sociedade em que as relações sociais se fariam de maneira empática, correndo rumo à uma nação mais ética e responsável, bem como dos ideais sartrianos.