ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 10/03/2021
O Super-Homem, idealizado pelo célebre filósofo Nietzsche, caracteriza os indivíduos capaz de livrar-se das amarras sociais. No entanto, quando se analisa a falta de empatia nas relações sociais no Brasil, percebe-se que o ideal proposto pelo autor está distante da realidade vivenciada por muitos brasileiros. Situações como essas são potencializadas ora pela inércia estatal, ora pela má formação socioeducacional de muitos cidadãos.
Em primeira análise, fundamentando-se na Teoria do Corpo Biológico, proposta pelo sociólogo Émile Durkheim, afirma que a sociedade atual funciona como um corpo humano: é necessária a atuação de todos os órgãos em prol do seu pleno funcionamento. Contudo, o Poder Público configura-se como um órgão falho, uma vez que os investimentos destinados à campanhas e à propagandas que abordem a importância da empatia e da solidariedade, como modo de se colocar no lugar do outro e sentir a “dor” pelo outro, são ínfimos. Por conseguinte, sem o devido amparo estamental, muitos indivíduos são rotulados e discrimandos pelo seu modo de ser, pela sua origem, causando um desequilíbrio social. Além disso, crimes de ódio e de intolerância, pela diferença, ocorrem com muita frequência.
Outrossim, o escritor escocês David Hume, afirma que a principal característica que difere o ser humano dos outros animais é o seu pensamento. Sob esse viés, algumas instituições de ensino contrariam o pensamento de Hume, já que algumas escolas possuem um ensino deficitário e pouco preparam os indivíduos para um desenvolvimento aprazível em sociedade e pouco abordam assuntos e problemáticas do cotidiano, como a orientação e o repassamento de conhecimento acerca da empatia e da necessidade de ampliar discussões que abordem a importância da tolerância na sociedade. Com isso, sem o devido incentivo escolar, muitos jovens chegam a idade adulta sem ter a noção de empatia social e desconhecem ações que reforçam a empatia, como a participação em trabalhos voluntários.
Diante do supracitado, medidas são necessárias para que haja a mitigação da falta de empatia nas relações sociais no Brasil. Para tanto, urge que o Estado aliado à mídia promova campanhas que repassem a importância da empatia como transformação social, como o incentivo a aceitar as pessoas como são, sem julgar pela sua origem, com o intuito de que menos pessoas possam ser acometidas pela intolerância. Ademais, é importante que o Ministério da Educação (Mec), reforcem discussões que incentivem ao voluntariado e a empatia no âmbito escolar, com a implementação nas grades curriculares de ações voluntárias com a participação de pais e alunos, com a finalidade de que mais pesoas sejam compreendidas e acolhidas pelo próximo. Com isso, o ideal proposto por Nietzsche poderia tornar-se a realidade.