ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 12/03/2021

Na contemporaneidade, tornou-se um padrão da conduta humana o julgamento descabido e a comunicação violenta. Nesse sentido, o filme norte-americano “Extraordinário” obteve êxito na representação desse cenário, uma vez que demonstra as dificuldades de uma criança com deformações faciais em lidar com pesadas críticas feitas por outros juvenis. Infelizmente, não se contrapondo à tendência explicitada, os cidadãos brasileiros apresentam atitudes semelhantes de repúdio à pessoas de aparência e personalidade fora do aceito, que são sustentadas pelo egocentrismo e, como consequência, danificam a harmonia social.

Diante desse cenário, é inquestionável que a escassez de vinculação com os sentimentos alheios advém de um cenário individualista. Comprovando o tal estão as escolas brasileiras, espaços de recorrente bullying e de agressão entre seus alunos, como demonstrado pela teledramaturgia em “Malhação”, que narra o dia a dia dos estudantes nacionais e como a violência, física e psicológica, está presente em seus cotidianos. Dessa forma, coloca-se em prática a teoria do sociólogo Zygmunt Bauman, a qual afirma que os pilares da liquidez atual são a falta de empatia e o individualismo, tendo em vista que a sociedade apresenta dificuldade em se compadecer com os efeitos que suas falas podem causar.

Por conseguinte, essa falha na convivência da população resulta em relações sociais instáveis e superficiais, o que pode atingir o desenvolvimento proletário. Nesse viés, os indivíduos, por conta dessa insensibilidade abordada, mantém uma postura de possível confronto, prejudicando seus futuros cargos, visto que, visando um prósporo ambiente de trabalho, é crucial a boa conduta e a confiança entre os funcionários, o que não ocorre. Sendo assim, tais relacionamentos assemelham-se à paz armada adotada pelos Estados Unidos e a União Soviética durante a Guerra Fria, na qual ambos os países empregaram uma supérflua política de boa vizinhança, porém mantinham, implicitamente, uma postura de combate.

Depreende-se, portanto, a urgência da resolução da problemática. É mister que o Ministério da Educação, através de um projeto de lei entregue à câmara dos deputados, decrete como obrigatórias palestras nas escolas que busquem a integração entre os alunos, logo visando a formação de bons cidadãos e, consequentemente, profissionais. Assim, prever-se-á a melhoria no convívio e situações como as vivenciadas por Auggie, protagonista da obra cinematográfica supracitada, não voltarão a ocorrer.