ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 15/03/2021

No livro best-seller “O ódio que você semeia” da autora Angie Thomas, Starr Carter é uma adolescente negra que decide, através de sua voz, propagar o respeito ao próximo após presenciar o brutal assassinato de seu amigo, Khalil, por um policial branco. Na narrativa, fica clara a intolerância e a pouca empatia nas relações sociais, comparadas, analogicamente, à realidade da sociedade brasileira. Fora da ficção, o problema da falta de identificação e aceitação do outro indivíduo, está atrelado, de fato, à desigualdade social do país e à insuficiente discussão sobre o assunto na comunidade. Nesse viés, torna-se fundamental a abordagem desses fatores, a fim do pleno funcionamento da sociedade.       Em primeiro lugar, é importante destacar a disparidade de classes como impulsionadora do problema. De acordo com o Índice de Gini, medida que classifica o grau de desigualdade de um país, o Brasil está entre as dez nações mais desiguais do mundo. Nesse sentido, essa cruel disparidade contribui para a retenção de recursos financeiros nas mãos da elite, a qual está preocupada apenas com os próprios interesses e marginaliza os outros indivíduos. Segundo o filósofo contemporâneo sul-coreano, Byung-Chul Han, a “sociedade do cansaço” trata sobre a desgastastante busca pelo destaque individual que, consequentemente, favorece relações não empáticas entre os indivíduos, principalmente, de classes distintas. Nessa óptica, é inadmissível que esse cenário persista.

Outrossim, é primordial apontar a falta de discussão sobre o tema na comunidade como uma das causas dessa problemática. É fato que a empatia deve ser introduzida na vida do indivíduo desde o princípio, sendo abrodada tanto pela família, quanto pela instituição escolar, a fim de desenvolver, também, o interesse na participação em trabalhos voluntários, os quais poucos têm conhecimento por não ser divulgados amplamente à população. Exemplo disso é observado na realidade pandêmica vivenciada nos últimos tempos que, além de poucos voluntariados para a linha de frente no combate ao vírus, houve também a escassez de máscaras, álcool em gel e alimentos nos primeiros meses que, enquanto muitos optaram por estocá-los, outros ficaram sem.

Depreende-se dessa forma, a urgência de ações interventivas com o fito de solucionar essa questão. Para isso, o Ministério da Educação, responsável pelas políticas educacionais do país, deve, por meio de discussões e debates efetivos, promover o incentivo ao voluntariado e a empatia no ambiente escolar, com a finalidade de democratizar o acesso à essas informações. Além disso, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos deve, por meio de campanhas e propagandas divulgadas nas mídias, estimular a empatia e os direitos humanos. Somente dessa forma, será possível propagar a empatia e o respeito ao próximo, assim como Starr Carter, e garantir o bem-estar social.