ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 16/03/2021

Na obra “Brasil: uma biografia”, as sociólogas Lilia Schwarcz e Heloisa Starling apontam ao leitor as idiossincrasias da população brasileira. Dentre elas, destaca-se a “difícil e torturosa” busca pela quebra dos paradigmas sociais. Embora o país possua uma das legislações mais avançadas do mundo, muito do que nela se prevê não concretiza. Tal fato é evidenciado no âmbito das doenças psíquicas, mesmo que o preconceito seja condenado constitucionalmente, a cultura de não solidariedade atrelada a falta de informação, impede que parcela da população desfrute a cidadania plena.

A priori, deve-se explicitar que considerável parcela da sociedade não busca reverter os preconceitos sobre as doenças mentais. Tal estorvo, advém de uma despreocupação dos cidadãos em exigir reformas nos setores públicos ( como Ministério da Educação e Ministério da Saúde ) encarregados de garantir a vida plena aos acometidos de moléstias psíquicas, o que define esse comportamento negligente como “eclipse de consciência”, termo - conforme o literato português José Saramago, usou no romance “Ensaio sobre Cegueira”- utilizado para sintetizar a ideia da falta de sensibilidade do indivíduo perante os imbróglios enfrentados pelo próximo, nesse caso, o contingente àqueles que vivem sobre o julgamento social pela condição de saúde. Por conseguinte, sob efeito desse fenômeno, considerável parte dos brasileiros fomenta a invisibilidade do empecilho social em evidência, afastando parcela da sociedade de sua plenitude social.

Ademais, a aceitação do julgamento por parte dos brasileiros, provém de um ensino ineficaz e muitas vezes inexistente que acarreta a falta de conhecimento sobre os direitos individuais. No livro “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, o protagonista Fabiano, desprovido do acesso ao conhecimento, acabava sendo explorado e humilhado por aqueles que detinham o saber. Nesse viés, sendo a arte uma reprodução da realidade, hoje são milhares de “fabianos” no Brasil. Dessa forma, uma reforma educacional, visando resolver o problema exposto, é imperativo para que os direitos constitucionais sejam desfrutados.

Depreende-se,portanto, a importância do debate ao tema referido. Dessa forma, com o intuito inicial de trabalhar a empatia coletiva,cabe ao Ministério da Saúde, com o auxílio da Mídia, promover campanhas publicitárias engajadas.Dessa maneira,desenvolverá a solidariedade visando o acolhimento social.Além disso,cabe ao Ministério da Educação,que por meio do poder legislativo e debates no Congresso Nacional,vise um repasse maior de verbas aos cofres educacionais,para que haja implementação sólida das doenças psíquicas na grade curricular nacional. Feito isso, os “fabianos” tornar-se-ão plenos,auxiliando a garantia dos direitos constitucionais aos que possuem doenças psíquicas.