ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 21/03/2021
“Nenhum homem pode banhar-se duas vezes no mesmo rio”. O pensamento do filósofo Heráclito consagra o movimento perpétuo do mundo e as mudanças na vida do ser humano. Entretanto, a falta de empatia nas relações sociais do Brasil, impede, por vezes, essa transformação, em virtude, principalmente, da incompreensão do outro e do egoísmo e individualismo intrincados no corpo social. Cabe discutir, desse modo, as causas e repercussões da ausência de atitudes empáticas no país, em nome de uma sociedade mais solidária e respeitosa.
A princípio, é fato que a falta de entendimento sobre os sentimentos alheios está diretamente atrelada à escassez de empatia no Brasil. Nesse viés, Consoante o psicólogo americano Kurt Lewin, “Nós precisamos uns dos outros. Esse tipo de interdependência é o maior desafio imposto à maturidade do indivíduo e ao funcionamento do grupo”. Sob perspectiva adversa, em uma sociedade permeada pela competitividade e pelo imediatismo, o homem deixa de perceber o impacto das suas ações sobre seus semelhantes. Com isso, aumenta-se a violência urbana e os problemas ambientais, por exemplo, conduzindo as pessoas para fora do que é pregado pela filosofia Ubuntu, a qual baseia-se no inestimável valor da empatia perante seres fraternos. Assim, é evidente incompreensão dos sentimentos dos outros como um elemento catalisador para a carência de atitudes empáticas.
Outrossim, é perceptível a relação do egoísmo e do individualismo com a problemática em questão. Sob esse prisma, segundo o filósofo Locke, em sua teoria da “Tábula Rasa”, o homem é um papel em branco a ser preenchido por experiências ao longo da vida. De forma análoga, muitos brasileiros ainda são um “papel em branco”, no que concerne ao altruísmo e à humildade, virtudes essenciais para a perpetuação da empatia nas interações. Diante disso, os relacionamentos se tornam voláteis - como alertado por Bauman, em sua obra “Modernidade Líquida” - e os seres humanos indiferentes em relação ao sentimento do outro. Posto isso, diante da carência desses atributos, surgem questões, como o preconceito e intolerância religiosa, haja vista a escassez de respeito, não só pelas escolhas alheias, mas também pela dignidade das pessoas.
Infere-se, portanto, que a ausência de compreensão do outro, além do egoísmo e individualismo colaboram para a escassez de empatia no Brasil. Logo, é basilar que o Ministério da Educação promova campanhas, mediante propagandas nas mídias sociais e outros meios de comunicação, com exemplos de atitudes empáticas do dia a dia e informações sobre como as ações individuais afetam a coletividade, com o fito de fomentar a empatia no país e levar as pessoas a enxergarem o outro. Destarte, os brasileiros poderão passar, dia após dia, pelas transformações consagradas por Heráclito.