ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 22/03/2021

O ser humano é social: necessita viver em comunidade e estabelecer relações interpessoais. Porém, embora intitulado, sob a perspectiva aristotélica, político e naturalmente sociável, inúmeras de suas antiéticas práticas corroboram o contrário. A partir dessa ideia, infere-se que, apesar do ser humano ser dependente de relações sociais, é, na atualidade brasileira, corrompido pela falta de empatia, que tem exercido coerção sobre o comportamento do indivíduo. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise de fatores que favorecem esse quadro.

Em primeira análise, constatam-se amplas taxas de violência contra mulher na sociedade brasileira. Essa problemática, atenta, pois, para o descumprimento de um dos artigos da Constituição Federal de 1988, o qual trata o direito à segurança como inerente a todo cidadão brasileiro. Entretanto, tal cenário nada mais é do que o reflexo de uma sociedade machista, na qual trata, na maioria das vezes, a mulher como inferior e frágil, induzindo, assim, uma sociedade menos empática – mais violenta e, portanto, mais adequada para uma convivência sem o emprego da ética.

Nesse sentido, é válido ressaltar que desde o Iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. No entanto, sobretudo no Brasil, percebe-se uma incoerência conceitual de tal ideia filosófica, uma vez que não é colocada em prática quando se observa a violência nos centros urbanos atuais. Portanto, como dito anteriormente, sob contradição da perspectiva aristotélica, as práticas antiéticas estão presentes nas relações sociais na contemporaneidade, visto que, de acordo com o IPEA, em 2016, houveram 62.517 homicídios causados pela violência urbana, fato que confirma ainda mais a falta de empatia na sociedade brasileira.

Sob esse viés, visando a atenuação dos impactos negativos da falta de empatia nas relações sociais no Brasil, é preciso modificar a realidade, conforme o pensamento do jornalista irlândes George Shaw, que diz que o progresso é impossível sem mudança. Para que isso ocorra, o Ministério da Cidadania, mediante o Ministério da Mulher, Família e dos Direitos Humanos, deve promover melhorias no asseguramento de direitos propostos na Carta Magna de 1988, juntamente com campanhas públicas para enfatizar a importância do emprego da empatia no cotidiano de qualquer cidadão, a fim de melhorar as relações sociais, possibilitanto, dessa forma, uma convivência mais harmônica, assim, amenizando o impasse atual.