ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 05/04/2021
No Evangelho de João, compilado a Bíblia Sagrada, uma curiosa passagem em que Jesus Cristo (fundamento da mentalidade cristã no mundo) é indagado por religiosos judeus se eles deveriam ou não apedrejar uma mulher pega em adultério por cometer tal ato, sem considerar suas próprias falhas pessoais, mostra como a falta de empatia já vigorava desde as relações humanas na Antiguidade. Hoje a situação ainda permane, uma vez que o avanço da visão individualista ao longo dos últimos séculos, associado a histórica desigualdade social presente no contexto brasileiro contribuem para a construção de cidadãos incapazes de se colocarem no lugar alheio.
A priori, considerar a ampliação da visão antropocêntrica na sociedade contemporânea como uma das causas para a frieza no cuidado com o outro se faz importante. Desde o fim da Idade Média na Europa, o dito humanismo renascentista ganhou espaço na cultura e educação das pessoas; ele pode ser descrito como um movimento de glorificação do homem e de sua natureza que incentiva um caráter individualista no ser humano, cuja ambição pessoal deve estar acima do bem coletivo. Por conseguinte, muitos dos indivíduos atuais possuem uma certa dificuldade para se sensibilizar com as questões vividas pelos seus semelhantes e para lidar com as diferenças existentes entre eles, fator este que potencializa crimes marcados pela intolerância em todo o Brasil.
Além disso, o crônico problema do abismo social e financeiro nessa nação demonstra o quão apática tem sido a contemporaneidade capitalista, pois em vista de fortalecer uma minoria rica e detentora de status e poder, a maioria tem se afundado em uma situação de pobreza na qual alguns até mesmo são expostos à fome e a ausência de saneamento básico. Segundo matéria do jornal online G1, em 2017, seis do maiores bilionários brasileiros concentram entre eles metade de toda a riqueza da população, fato evidenciador da disparidade que existe não somente na distribuição da renda nacional como também no tratamento dado a ricos e pobres. Sendo assim, aos poucos essa mentalidade (“ter’’ em detrimento do ‘‘ser’’) vigente nas trocas político-econômicas tornou-se intrínseca as pessoas, deteriorando o valor da empatia.
Portanto, trabalhar a fraternidade é de caráter fundamental para corrigir a antipatia presente nos vínculos interpessoais do século XIX. Cabe ao governo, por meio do Ministério da Cidadania, estimular o voluntariado nos cidadãos, divulgando nas mídias diversas os benefícios para a alma de se assumir tal responsabilidade, a fim de adquirir mais adeptos para programas sociais já incorporados como o “Pátria Voluntária”, estabelecido desde 2019; Com isso, práticas novas serão incentivadas nos lares e instituições brasileiras e, possivelmente, repassadas para uma futura empática geração.