ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 19/11/2021
O poema “No Meio do Caminho” de Carlos Drummond de Andrade narra metaforicamente os desafios enfrentados pelas pessoas em suas trajetórias de vida. Analogamente, percebe-se que a falta de empatia nas relações sociais é uma realidade que implica diretamente na jornada dos brasileiros, sendo motivada pelos preconceitos e pelas transformações na estrutura social, devendo ser analisada e revertida.
Partindo dessa premissa, nota-se o papel dos preconceitos e estigmas cultuados na sociedade na promoção da relativização das relações entre os indivíduos, afastando determinados grupos sociais por padrões ligados à raça, crenças, orientação sexual e até condições mentais. Dessa forma, a discriminação atua reprimindo e segregando as pessoas, criando um sentimento de isolamento e “não pertencimento” ao corpo social. Conexo a isso, a capacidade encontrada na modernidade de desconjuntar e estruturar relacionamentos e conexões entre as pessoas constantemente enfraquece os laços coletivos, configurando uma realidade na qual eles são vistos como mercadorias: facilmente adquiridos, banais e não-duráveis. Esse fator foi descrito pelo sociólogo polonês Zygmunt Bauman por meio do conceito de “modernidade líquida”, processo que, segundo ele, desvaloriza, relativiza e enfraquece as relações na sociedade moderna.
Ademais, essa liquidez implica diretamente na vida cotidiana das pessoas. Por meio dos preconceitos estabelecidos e da falta do sentimento de pertencimento, influencia-se o aumento da violência social, estabelecendo um ciclo de repressão da população. Isso pode ser representado a partir de dados levantados pela organização “Words Heal the World” que apontam o registro de 12.344 crimes de ódio associados ao credo, etnia, orientação sexual e gênero no Brasil, evidenciando a dimensão da problemática e as suas consequências.
Diante disso, percebe-se que a falta de empatia na conjuntura social brasileira é um desdobramento das transformações da modernidade, além de atingir o bem-estar da população, devendo ser reprimida. Para isso, o Governo Federal, intermediado pelo Ministério da Educação, deve incluir no currículo didático das escolas públicas, por meio do Plano Nacional da Educação, o ensino acerca da estruturação das relações sociais e discussões sobre os preconceitos e suas motivações. Desse modo, alterando o ciclo estabelecido pela “modernidade líquida” e promovendo o fortalecimento dos vínculos de empatia entre as pessoas, consequentemente, superando os desafios hoje enfrentados pelos brasileiros em suas jornadas de vida.