ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 23/03/2021

Gregório de Matos, poeta seiscentista barroco, ficou conhecido como “boca do inferno” pelas suas duras denúncias à sociedade baiana do período. Atualmente, se o escritor estivesse vivo e se deparasse com a falta de empatia nas relações sociais no Brasil, certamente teceria críticas a respeito. Dessa maneira, é evidente que tal problemática decorre da herança familiar e de falhas do ambiente escolar.

De Início, é necessário discutir a influência familiar no contexto. Sob esse prisma, segundo Émile Durkheim, a socialização do indivíduo é feita, em um primeiro momento, integralmente pela família. Nesse sentido, a falta de empatia, ou seja, a incapacidade de se imaginar no lugar do próximo e agir diante disso, é diretamente ligada com os valores e a educação passada pelos pais. Logo, as relações sociais não se tornaram insensíveis agora, pelo contrário, já eram enraizadas na sociedade brasileira.

Ademais, a escola também é uma das causas da falta de empatia nas relações sociais. Dessa forma, consoante Pierre Bordieu, os estudantes tendem a reproduzir no ambiente escolar os ensinamentos da família. Sob essa ótica, comportamentos problemáticos, como o bullying e a exclusão social, acontecem e, na maioria das vezes, são silenciados ou até negligenciados pela própria direção da escola. Assim, no lugar de ser um ambiente saudável, a escola acaba intensificando a competitividade e a ausência de empatia entre os alunos.

Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. De fato, o Ministério de Educação, apoiado pelas secretarias municipais, deve realizar campanhas nas escolas sobre a importância da empatia, capaz de desconstruir valores inicialmente passados pela família, por meio de palestras e rodas de conversa, a fim de criar uma geração aberta a tais discussões. Somente assim, cairiam as chances de Gregório de Matos denunciar a ausência de empatia no Brasil.