ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 27/07/2021

A dificuldade do homem em interagir com reciprocidade e humanidade é fato histórico, podendo ser afirmado, por exemplo, na negação da elite escravocrata brasileira em abrir mão de seus privilégios em reparação ao genocídio, abusos e restrições impostas a seus iguais: os escravizados. Apesar da abolição da escravidão em 1888, tais características de individualismo e apatia mantém-se na sociedade atual. Nessa perspectiva, há impasses para superar a falta de empatia nas relações sociais no Brasil, ora pela inércia do Poder Público, ora pela negligência populacional, o que torna urgente expor e viabilizar medidas para atenuá-los.

Em primeira análise, é imperativo pontuar que a Constituição de 1988, em seu conjunto de leis, assegura a igualdade e a liberdade de expressão aos cidadãos brasileiros. Contudo, tal estrutura teórica faz-se pouca efetiva no plano prático, uma vez que, segundo o site de notícias “Gênero e Número”, crimes de ódio estão presentes em todo o território nacional, abrangendo questões de gênero e raça, até orientação sexual e religião. Tal conjuntura aponta que as ações governamentais apresentam-se insuficientes em garantir a aplicação das ferramentais legais de proteção à dignidade de seu povo. Assim, é mister que o aparato legal extravase o campo teórico e afirme-se na práxis, a fim de ampliar a segurança social e construir um coletivo capaz de conviver em equilíbrio com a pluralidade.

Outrossim, é categórico postular que a alienação do homem em relação a ele mesmo constitui um dos obstáculos para a superação do individualismo e da apatia social no país. Tal fato pode ser explanado por meio do alerta do escritor português José Saramago que, no início de “Ensaio sobre a cegueira”, apresenta a dificuldade do ser humano em enxergar para além do superficial e para além dos próprios interesses, reforçando a estrutura egoísta e desumana de uma cultura materialista e imediata em vigência. Logo, é substancial que haja a conscientização da sociedade acerca do seu próprio distanciamento interpessoal, de modo a evitar distorções comportamentais que afetem o bem-estar coletivo e universal.

Em síntese, urge que medidas sejam implementadas para mitigar o quadro em questão. Portanto, cabe ao governo federal, por meio de seu aparato legal, instituir projeto de lei que amplie e atualize a gravidade dos crimes de ódio, para reforçar a segurança dos brasileiros. Ademais, é essencial que o mesmo introduza ações educacionais que abordem a diversidade nas redes de comunicação, com o objetivo de aproximar os indivíduos e romper com estigmas e preconceitos preservados no inconsciente coletivo. Dessa forma, o Estado e a sociedade superarão, com coesão, a problemática vigente, construindo, assim, um corpo social capaz de reconhecer, respeitar e acolher seus iguais.