ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 25/03/2021

De acordo com Zygmunt Bauman, vivemos em uma sociedade líquida, ou seja, uma sociedade marcada pelo individualismo, vínculos afetivos instáveis, forte presença do imediatismo e, por consequência, falta de empatia. Embora esse autor seja europeu, esse conceito é perfeitamente compatível com as relações sociais no Brasil. Nesse contexto, a amostra da representação política brasileira e dos índices de violência do país retratam muito bem esse cenário. Em primeira vista, desde a Grécia antiga, há o conceito de democracia, o que significa dizer que representantes, selecionados pela população, ou parte dela, serão responsáveis por guiar o Estado, sendo o maior beneficiado o próprio povo. Nesse sentido, os escolhidos nada mais são do que o reflexo da própria sociedade. Dessa forma, essa definição pode ser trazida ao contexto brasileiro e aplicada ao exemplo da realização da Copa do Mundo de 2014. Tendo em vista a aplicação financeira exorbitante para o acontecimento do evento e as condições precárias de educação e saúde da nação, percebe-se que os políticos não demonstraram empatia aos cidadãos. Apesar de ser um campeonato esportivo de grande porte, com possibilidade de alavancagem do turismo, os escolhidos não pensaram nas pessoas que se beneficiariam de uma vaga a mais na escola ou no hospital, por exemplo, interferindo diretamente no futuro das mesmas. Ademais, a afirmação ‘’ o homem é o lobo do homem’’, realizada por Thomas Hobbes, apesar de ser proferida há alguns séculos atrás, mostra-se extremamente atual, nesse contexto. Em uma visão mais próxima da sociedade brasileira, observando, agora, relações diretas, é possível visualizar a falta de empatia como decisiva nos casos de violência no território. Nesse âmbito, a percepção individual de superioridade ao outro e intolerância ao diferente é fator marcante nesses crimes, que poderiam, muitas vezes, ser evitados mediante o exercício de colocar-se no lugar do próximo. Portanto, a transformação da sociedade é fundamental para amenizar os prejuízos causados por esse tema. Dessa forma, cabe ao Ministério da Educação conscientizar a população, em parceria com as escolas, por meio de palestras e, junto à grande mídia, como a Globo, por meio de propagandas televisivas, para que o público perceba a importância da empatia na construção de uma sociedade justa e pacífica. Além disso, é necessário levar essas palestras também para as pessoas que cometeram crimes, estejam elas privadas de liberdade ou não, para que repensem suas atitudes e participem dessa metamorfose social.