ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 26/03/2021
Segundo a primeira lei de Newton, conhecida como “Princípio da Inércia”, a tendência de um corpo é permanecer parado quando nenhuma força é exercida sobre ele. Fora da física, é perceptível a mesma condição, no que concerne à falta de empatia nas relações sociais no Brasil, a qual segue sem uma “força” capaz de mitigá-la. Nesse sentido, fatores, como a incompreensão do homem sobre o outro e o egoísmo entremeado na sociedade colaboram para o solapamento de atitudes empáticas. Dessa forma, é premente discutir as causas e consequências dessa problemática no país.
A princípio, é fato que o desconhecimento do ser humano sobre os sentimentos de outrem agrava a escassez da empatia. Nesse contexto, parafraseando o filósofo alemão Arthur Schopenhauer, a tarefa não é ver o que ninguém viu, mas pensar o que ninguém ainda pensou sobre aquilo que todo mundo vê. Tal pressuposto enseja uma reflexão: no que se refere à falta de compreensão do homem sobre seu semelhante, é iimprescindível uma ação voltada para a mitigação desse problema, haja vista a insensibilidade de muitos indivíduos, a qual impede a percepção do impacto das suas ações sobre os outros. Posto isso, em razão dessa indiferença, surgem relações líquidas e frágeis, já que as pessoas deixam de se preocupar com as emoções do próximo, conforme postulado por Bauman em sua obra “Modernidade Líquida”.
Outrossim, o individualismo presente nas relações está diretamente atrelado à falta de atitudes empáticas. Sob esse prisma, de acordo com o filósofo John Locke, em sua teoria da “Tábula Rasa”, o ser humano é um papel em branco a ser preenchido por experiências ao longo da vida. Analogamente, muitos brasileiros ainda são uma “folha em branco” em relação à empatia. Isso porque a carência de ações altruístas e humildes leva a uma sociedade competitiva e imediatista, na qual as pessoas se tornam incapazes de pensar na coletividade. Assim, é inquestionável o efeito negativo das ações individualistas, o que reflete questões, como, o preconceito e a intolerância religiosa, tendo em vista que muitos não têm sua opinião e nem a sua dignidade respeitadas, em razão dessa falta de empatia.
Infere-se, portanto, que a incompreensão do ser humano sobre os outros e o egoísmo intrincado na sociedade potencializam a falta de empatia nas relações sociais no país. Logo, é basilar que o Ministério da Educação promova seminários, por meio de palestras e “lives” nas mídias sociais sobre a importância desse atributo, com exemplos de atitudes empáticas do dia a dia, como ações voluntárias, com o fito de fomentar essa virtude nos relacionamentos sociais. Desse modo, essas intervenções poderão ser a “força” capaz de impulsionar as pessoas a se colocarem no lugar do outro.