ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 27/03/2021

O conceito de “Modernidade Líquida” de Bauman caracteriza as relações líquidas da contemporaneidade: fluidas, inconsistentes e rápidas. Sob essa ótica, a convivência humana está, cada vez mais, banalizada, desumanizada e desprovida do exercício de pensar no outro. Nesse contexto, surge a recorrência da falta de empatia nas relações sociais no Brasil, por fatores como a mecanização humana e o excesso de individualismo. São prementes, pois, estratégias para fomentar interações sociais mais humanistas e respeitosas.

Em primeira instância, na visão de Francis Bacon, a tecnologia não serve apenas para aumentar o conhecimento, mas, também, para melhorar a vida do homem. Em contrapartida, o excessivo uso da tecnologia, principalmente das redes sociais, tornou as relações humanas mais mecanizadas e menos empáticas. Nesse sentido, em virtude da falta de contato físico e do anonimato proporcionado pela internet, muitos indivíduos sentem-se livres para destilar ódio, intolerância e ofensas, sem refletir em como tais palavras podem reverberar na vida do outro. Diante disso, segundo o IBOPE Inteligência, os crimes de ódio cresceram com o advento da “web”. É notório, assim, que a mecanização da sociedade causa a falta de empatia nas relações sociais no Brasil.

Para além dessa reflexão, o “Mito da Caverna”, de Platão, retrata a dicotomia entre a escuridão da ignorância e a luz do saber. Analogamente, o individualismo e a competitividade são as “cavernas” contemporâneas, que impedem os brasileiros de enxergarem a magnitude da empatia e da solidariedade. Nesse viés, em razão do excesso de tarefas e imediatismo e da falta de tempo para olhar para quem está ao seu lado, as pessoas estão, cada vez mais, distantes e indiferentes aos sentimentos alheios, como debatido pelo historiador Leandro Karnal. Com isso, a convivência humana perde o senso de coletividade, de humildade e de gentileza. Logo, é inegável que a falta de empatia na sociedade brasileira está atrelada às características da contemporaneidade, como o individualismo e egoísmo.

Infere-se, portanto, a recorrência da falta de empatia nas relações sociais no Brasil, por fatores como a mecanização humana e o excesso de individualismo. Dessa forma, é imperioso que o Conselho Federal de Psicologia promova seminários educativos, por meio de palestras e debates, em suas plataformas digitais, acerca da importância do exercício de pensar no outro e da solidariedade e de orientações de como realizá-lo, com o fito de desenvolver a empatia nos brasileiros. Dessa maneira, o Brasil poderá alcançar elevados níveis de respeito, união e compaixão entre os membros da sua sociedade.