ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 29/03/2021

Ultrapassando valores do passado

Para o filósofo Thomas Hobbes, a ausência de cordialidade ocorre porque “O homem é o lobo do homem”. Com isso, vê-se que a falta de empatia está presente em todas as esferas sociais, mas afeta, principalmente, a população mais vulnerável e as minorias. Por isso, torna-se necessário entender a razão dessa problemática e analisar se Hobbes está realmente certo.

Primeiramente, é necessário entender que o consumo exacerbado é uma das causas dessa adversidade. Esse consumismo ocorre, pois como os desejos o homem são infinitos ele busca, através das compras, alcançar a felicidade e realizar uma parcela das suas realizações pessoais, segundo Schopenhauer. Entretanto, para que tenha uma grande quantidade de produtos a baixo custo, para suprir esses desejos, as fabricas exploram aqueles com menos qualificação e imigrantes, como foi o caso de imigrantes colombianos realizando trabalho análogo à escravidão em São Paulo, em fabricas têxteis, noticiado pelo Globo.com . Como consequência, tem-se que para suprir a sociedade, infelizmente, ocorre a normalização da super-exploração da mão de obra de parcela da população, para que seja possível obter produtos baratos e em grande quantidade.

Ademais, é preciso ressaltar como a falta de compaixão afeta aqueles ao nosso redor. Diante do pensamento de que alguns indivíduos devem sofrer a filósofa Hanna Arendet cunhou o termo Banalização do Mal -durante a Segunda Guerra Mundial- evidenciando que ao se acostumar com o sofrimento de alguns indivíduos, a população normaliza essa realidade. Com isso, atos violentos não causam espanto e são tratados como aceitáveis por parte da população, gerando milhares de vítimas a cada ano. Como exemplo, tem-se o Mapa do Ódio, que mostra os crimes relacionados ao gênero, como o Feminicídio, e o racismo como os mais presentes no país.

Fica claro, portanto, que a banalização do mal é a causa da falta de empatia na sociedade brasileira. Por isso, torna-se necessário que o Ministério da Educação atue nas escolas promovendo aulas de sociologia sobre as causas desse problema, de modo que os alunos entendam normalização da exploração de alguns, para suprir seus desejos de consumo, e os crimes de ódio é  inaceitável. Isso, com objetivo de que eles procurem consumir de forma consciente, de marcas que não exploram seus trabalhadores e ajam na conscientização dos indivíduos ao seu redor sobre os danos gerados pelos crimes de ódio a suas vítimas. Dessa forma, será possível compreender as origens dessa adversidade e fazer com que o homem deixa de ser o lobo dos seus semelhantes e assim ultrapassar essa filosofia excludente.