ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 03/04/2021

O filósofo polonês Zygmunt Bauman, em seu livro Modernidade Líquida, alerta sobre a fragilidade das relações humanas na contemporaneidade. Tais circunstâncias ficaram evidentes com a pandemia do novo Coronavírus, na qual, a morte de mais de 300 mil brasileiros é banalizada constantemente por uma parcela significativa da sociedade. Diante disso, fica clara a necessidade do combate a falta de empatia nas relações sociais no Brasil, a fim de erradicar a ideologia de que a vida é secundária em relação à economia.

Em primeira análise, o principal vetor de agravamento dessa problemática é o fato da população não ter conhecimento sobre as dificuldades e a dor do outro. Segundo uma reportagem publicada na revista Veja, o Brasil é o sétimo país mais desigual do mundo e o 122º no ranking do voluntariado, ou seja, isso ratifica que os desalentados são invisíveis ao Estado e também a uma parcela do corpo social. Tais fatos ressaltam a necessidade de políticas públicas, principalmente o estpímulo a ações voluntarias, em prol de uma sociedade mais justa e igualitária.

Outrossim, a era das redes sociais tem incentivado a prática da ação social em relação a fins, explicada pelo sociólogo Max Weber. Exemplo disso são os inúmeros vídeos de Youtubers e influenciadores que registram a prática de uma boa ação, com o intuito de ganhar curtidas, seguidores e visualizações que são monetizadas por essas plataformas. Nesse contexto, é preciso a conscientização desses atores sociais sobre essas práticas, visto que muitas pessoas podem ter consciência do real objetivo de tais ações.

Portanto, fica evidente a necessidade de um combate efetivo a essa anomalia social. Para isso, o Ministério da Educação em conjunto com o da Mulher, da Família e Direitos Humanos, devem desenvolver campanhas com vídeos e cartilhas informativas sobre o voluntariado, a serem distribuídas nas escolas e universidades, explicando sobre a importância dessa prática para ajudar a parcela da população mais carente e vulnerável, a fim de estimular a empatia ao nível social amplo, corrigindo a dicotomia que ficou ainda mais evidente com a crise sanitária. Somente assim será possível corrigir esse cenário tão grave.