ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 02/04/2021

É inegável que a empatia, capacidade de se preocupar com o outro, não é valorizada e nem praticada com frequência no Brasil. Crimes de ódio, envolvendo preconceito de raça, gênero, orientação sexual, religião e origem são recorrentes e observados em diversos estados.

Nas escolas e faculdades, há pouca ou nenhuma discussão do tema. A própria dinâmica do ensino, visando o desempenho escolar em primeiro lugar, é um ambiente pouco empático. Não há incentivo à trabalhos voluntários ou outros tipos de práticas envolvendo o bem estar dos outros indivíduos.

O filósofo Sigmund Bauman, ao tratar sobre o tema, retratando a sociedade pós-moderna, obervou uma tendência dos indivíduos se preocuparem apenas com seus próprios problemas e questões, vivendo relações cada vez mais fluidas, passageiras.

A dinâmica capitalista de desigualdade econômica, na qual poucas pessoas detém a maior parte da riqueza, enquanto outras não possuem muitas vezes o mínimo para garantir uma vida digna, incluindo sua própria alimentação, mostra o quanto a empatia está prejudicada.

A solução, infelizmente, só é viável a longo prazo, pois o desenvolvimento da empatia deve ocorrer desde os primeiros anos de ensino, com práticas capazes de fazer os indivíduos se posicionarem de forma a se preocupar com os outros. É necessário que as dinâmicas de ensino sejam repensadas para que as questões sociais sejam tão importantes quanto o desempenho. Além disso, é possível que haja grande avanço com prática de recompensa a comportamentos empáticos. Dessa forma, é possível um Brasil mais empático.