ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 11/04/2021

No filme “A Corrente do Bem”, um jovem estudante é entarefado, pelo professor, a criar uma ideia para mudar o mundo para melhor e em seguida colocá-la em prática. O garoto, então, cria a “corrente do bem”, em que uma pessoa ajudaria outra, que por sua vez, ajudaria outra e assim sucessivamente. Nesse sentido, ações como essa, que buscam ajudar, compreender e se colocar no lugar do outro, representam a empatia em sociedade. No entanto, essa nem sempre é a realidade da sociedade brasileira, onde falta empatia, haja vista a precariedade de discussões sobre empatia nas escolas, bem como a cultura individualista propagada nas gerações. Dessa forma, perscruta-se uma problemática de origem sociocultural.

Em primeira instância, a precariedade de discussões sobre empatia nas escolas é  uma das causas da falta da mesma nas relações sociais no Brasil. Isso ocorre porque as escolas estão entre os primeiros ambientes no processo de socialização dos seres humanos, onde começa a convivência com pessoas de realidades, grupos e classes sociais distintas. Logo, se não ocorrem discussões sobre assuntos que englobam respeito e solidariedade, é dificultada a passagem desses princípios na formação do indivíduo. Sob essa ótica, segundo o pensador Paulo Freire, “A educação não transforma o mundo. A educação muda as pessoas. Pessoas mudam o mundo”. Assim, nessa perspectiva, tão importantes como assuntos acadêmicos, são assuntos sobre covivência social, nos ambientes escolares.

Outrossim, a cultura individualista, propagada nas gerações brasileiras, contribui para a falta de empatia nas relações sociais do país. Nesse sentido, o materialismo histórico, do sociólogo Karl Marx, afirma que a infraestrutura, meios de produção e relações econômicas, determina a superestrutura, cultura e moral. Seguindo essa linha de pensamento, as relações econômicas brasileiras vigentes, visando o lucro individual e ascenção social, promovem uma cultura egoísta. Assim, a pouca preocupação com o próximo causa, consequentemente, a falta de empatia.

Evidencia-se, portanto, que a precariedade de discussões sobre empatia nas escolas e a cultura individualista, propagada nas gerações, são causas para a falta de empatia nas relações sociais no Brasil. Isso posto, urge ao Estado, por intermédio do Ministério da Educação, criar programas socioeducativos, explicando e exemplificando empatia, como casos de combate ao preconceito. Dessarte, essas ações viabilizam-se por meio de palestras e atividades, promovidas por profissionais da área social e educacional, como psicopedagogos, a fim de formar uma população mais consciente e empática, formando, no Brasil, sua própria corrente do bem.