ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 03/04/2021

Com o advento da globalização e, por conseguinte a passagem das interações sociais para o meio digital, o sujeito tornou-se não só individualizado e distante da realidade que o cerca, como também mais competitivo na luta por status e poder. Para o filósofo, Zygmunt Bauman, a lógica de consumo na modernidade fixou-se também nas ações interpessoais, tornando-as líquidas e superficiais. Dessa forma, a falta de empatia nas relações sociais do Brasil, revela não só a tensão criada pela competição laboral, como também os riscos de uma subjetivação exarcebada do indivíduo.

Ademais, segundo o site, generonumero, no mapeamento de crimes de ódio, em 2018, o feminicídio fazia-se presente em toda extensão territorial, seguido de crimes de cunho racial e de orientação sexual. Dessa maneira expondo a tendência nacional a intolerância de tudo que subverte um determindo padrão. Tal predisposição é gerada por uma individualização coletiva, uma vez que o ser é cultuado como único nas relações digitais, e coletivo na medida em que a forma única do sujeito segue uma padronização. Assim, estimulando os ataques a tudo que difere dessa via.

Todavia, para Rousseau, o homem, em seu estado de natureza, é bom. Porém com o surgimento da sociedade e a implantação da propriedade privada, tal bondade foi corrompida e transformada em hostilidade uns contra os outros. Entretanto, essa é amplamente difundida e redirecionada para a busca incansável de um lugar próprio e privado, seguro para sí mesmo, nessa nova organização social, na qual auxiliar o próximo sem esperar retribuição é um ato passível de desgaste desnecessário.

Portanto, fica evidente a necessidade de campanhas iniciadas nas escolas por meio de palestras com profissionais psicólogos, feitas pelo MEC em parceria com empresas de comunicação digital, e estendidas para campanhas virtuais em forma de folheto informativo, com o objetivo de relembrar e fomentar na população a valorização de tal sentimento e, remodelar a visão de sujeito do que importa sobre sí e os outros.