ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 16/04/2021
A falta de empatia nas relações sociais, no Brasil, é um processo atávico que se encontra arraigado de forma cultural na sociedade. Comprova-se isso por meio da exploração portuguesa sobre os nativos brasileiros. De lá para cá, pouco mudou no que tange a esse aspecto. Isso ocorre, seja pela falta de alteridade nesse âmbito, seja por anomias. Dessa maneira, é imperioso que essa chaga social seja resolvida, a fim de que o os estigmas de dominação fiquem somente no passado.
Nessa perspectiva, acerca da lógica referente a falta de empatia nas relações sociais no espectro brasileiro, é válido retomar o aspecto supracitado quanto à lacuna de alteridade nesse caso. Decerto, é inegável que a sociedade busca a Eudaimonia de Aristóteles — bem-estar —; porém, imputa-se uma linha tênue entre a própria felicidade e a frustração de outrem. Sendo assim, faz-se primordial incitar a presença da alteridade, sendo o primeiro passo à procura da empatia, isso significa reconhecer que existem pessoas com culturas singulares e subjetivas que pensam, agem e entendem o mundo de suas próprias maneiras. Nesse viés, ao negligenciar a complexidade das pessoas incomuns ao social, devido a intolerância no estereótipo de etnia, religão, classe social e afins, a sociedade míope alimenta uma visão eugenista e tóxica, limitando as diversas possibilidades de manifestação do ser humano.
Paralelamente ao lapso de alteridade nessa questão, é fundamental o debate acerca das anomias sociais. Essa intolerância se dá pelos errôneos ideais de felicidade pré-estabelecidos na sociedade como metas universais, contrariando a Eudaimonia do estoicismo aristotélico, que não dá ao ser humano a plena liberdade de ação, pois essa deve estar em conformidade com a felicidade dos outros. Entretanto, essas concepções segregam os indivíduos entre os “fortes” e os “fracos”, em que os fracos, geralmente, integram a classe em discussão, dado que não atingem os objetivos estabelecidos, tal como a estabilidade emocional, ocasionando até o suicídio. Tal conjuntura segregacionista é explicada nos princípios das obras “A divisão do trabalho social” e “O suicídio”, do sociólogo Durkheim, que defendem o termo como uma condição em que as normas sociais e morais são confundidas, pouco esclarecidas ou simplesmente ausentes, levando ao caos de diversas formas.
Fica exposta, portanto, a necessidade de medidas para mitigar a falta de empatia no Brasil. Dessarte, as Secretarias de Educação devem desenvolver projetos educativos, por meio de palestras e de dinâmicas que levem profissionais da educação e vítimas da intolerância para debaterem sobre o preconceito enfrentado no cotidiano, uma vez que o depoimento individual sensibiliza os estudantes. Isso deve ser feito com a finalidade de ultrapassar os estereótipos prejudiciais. Por fim, será possível criar um país mais democrático e próximo ao ideário aristotélico.