ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 12/04/2021

No filme Extraordinário, é retratada a história de Auggie Pullman, um garoto de 10 anos que nasceu com uma deformidade no rosto e que desde pequeno é ensinado em casa pela mãe. A problemática evidenciada no filme é o bullying que esse menino passa a sofrer quando começa a frequentar uma escola. Auggie é zombado por sua aparência díspar e enfrenta relações inseguras com os colegas. Da mesma forma, muitas crianças, jovens e até adultos sofrem com essas demonstrações de falta de empatia todos os dias em ambientes familiares, escolares e profissionais. Visto que a formação de muitas pessoas é prejudicada por essa inflexibilidade social, é necessária a análise das causas que levam a sociedade à ser intolerante e antipática nas relações públicas.

Primeiramente, é importante destacar que, segundo o Jornal Contábil, em função das novas tecnologias e da pandemia do Covid-19, desde crianças até adultos estão passando 40% mais tempo em redes sociais do que passavam há dois anos. Isto é, as pessoas estão ficando mais tempo na internet, vendo a vida social de outras e obtendo noções de como seria uma “vida perfeita”. Ou seja, a sociedade começa a formar estereótipos, fixando como deve ser a aparência, os relacionamentos e as atitudes que todo indivíduo deve ter. Consequentemente, essa conduta transforma todos aqueles que são diferentes ou que não desejam seguir esses “padrões” impostos pela sociedade em imperfeitos e condenáveis.

Outrossim, o lema político apresentado na bandeira brasileira “Ordem e Progresso”, adere a ideia do pensamento positivista, criado pelo filósofo francês Auguste Comte, que afirma que à sociedade deve estar em harmonia, organizando-se de forma disposta. Entretanto, devido à ignorância coletiva, a nação ao invés de progredir como pessoas civilizadas e racionais, estão com dificuldades de coexistir entre elas próprias. Assim, é necessário que as pessoas compreendam que todos têm uma opinião, e que ela deve ser respeitada evidentemente, seguindo o lema positivista de Comte.

Por conseguinte, é mister que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Para a conscientização da população brasileira a respeito do problema, urge que o Ministério de Educação e Cultura (MEC) crie, por meio de verbas governamentais, campanhas publicitárias nas redes sociais que conscientizem os usuários sobre as consequências da falta de empatia e amor ao próximo nas relações, mesmo que estas sejam de forma online. Enfim, o interlocutor será sugestionado a criar o hábito de tolerar as opiniões e escolhas dos outros cidadãos, levando-o a refletir sobre a disposição de uma convivência coesa.