ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 08/05/2021

No filme Raya e o Último Dragão, disponível na Disney+, é retratado a história de Raya, uma princesa que, em virtude da ganância, apatia e desconfiança da população, vive em um mundo distópico e apocalíptico. Fora das telas, assim como a realidade vivenciada pela monarca, a falta de empatia também paira sobre as relações sociais de grande parte dos brasileiros. Dessa forma, a ascensão da cultura do cancelamento e a violência se caracterizam como dois principais fatores para o agravamento de tal insensibilidade social.

Segundo o conceito de banalidade do mal, de Hannah Arendt, quando uma atitude agressiva ocorre constantemente, as pessoas param de vê-la como errada. Nesse sentido, a cultura do cancelamento se enquadra na ideologia proposta pela socióloga quando se percebe que o ato de excluir e menosprezar alguém a todo momento se tornou algo corriqueiro na sociedade contemporânea. Dessa maneira, tal culto ao banimento social torna os indivíduos frios e insensíveis perante ao outro, criando-se assim o ideal da pessoa perfeita, a qual não pode cometer nenhum tipo erro e, caso o fizer, não terá qualquer chance de evoluir e mudar, sendo tratada de forma extremamente apática, tornando-se alvo de destilação de ódio e, consequentemente, tendo sua vida arruinada.

Ademais, faz-se necessário destacar a violência contra grupos minoritários como uma das principais consequências da falta de empatia por parte dos brasileiros, uma vez que demonstram não suportar o diferente. De acordo com dados do Mapa do Ódio de 2018, 100% das unidas federativas do Brasil relataram casos de feminicídio e 77% obtiveram relatos de crimes de ódio motivados por racismo. Nessa lógica, pode-se fazer um paralelo com a obra O Cidadão de Papel, de Gilberto Dimenstein, na qual afirma que os direitos constitucionais residem apenas na teoria. A ideologia do autor se mostra plausível quando a Constituição Brasileira é analisada e percebe-se que as agressões frente às minorias ferem o Artigo 5, o qual garante o direito à vida e a segurança. Portanto, urge que medidas sejam tomadas para resolver tal empasse.

Sendo assim, faz-se necessário que o MEC, em parceria com as escolas, realize palestras mensais para pais e alunos com a presença de psicólogos, sociólogos e ativistas dos direitos humanos com a finalidade de despertar a empatia nos indivíduos desde a infância. Somente assim, será possível impedir que o futuro idealizado em Raya e o Último Dragão se concretize.