ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 20/04/2021

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a falta de empatia apresenta barreiras as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto do ódio ao alheio, quanto do individualismo. Diante disso, torna-se fundamental a discussão destes aspectos, a fim de pleno funcionamento da sociedade.

Em primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater atos de ódio. Nesse sentido, estão incluídos racismo, intolerância religiosa, homofobia, misoginia e capacitismo.  O homem mata e escraviza o outro apenas por ser diferente, por apresentar certas características as quais não aceita, ou simplesmente por não concordar com o que o outro indivíduo escolheu para sua própria vida. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como o de viver livre de preconceitos, o que infelizmente é evidente no país.

Ademais, é fundamental apontar o individualismo como o impulsionador do problema no Brasil. Segundo o site de informações Gênero e Número, os maiores crimes de ódio do país são causados por preconceito de gênero, raça e orientação sexual. Diante do exposto, o fato de a maioria da população olhar apenas para o próprio “umbigo”, tratar outras pessoas de qualquer forma e não se importar com as consequências de suas ações na vida do outro, provoca somente o aumento desses casos em nosso país.

Depreende-se portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que as entidades sociais - por intermédio da criação de projetos de apoio à sociedade que auxiliem a população a compreender um ao outro e entenderem que em toda sociedade existem suas diferenças - cooperem com a mobilização social em relação à empatia a fim de acabar com o individualismo em nosso país. Assim, se consolidará uma sociedade mais afetuosa com o próximo, onde o Estado desempenha corretamente seu “contrato social”, tal como afirma John Locke.