ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 16/11/2021

Paulo Freire, filósofo e educador brasileiro, asseverou que a educação deve formar indivíduos empáticos. Desse modo, o teórico objetivou elencar a virtude de “sentir a dor do outro” como fundamental na formação cidadã. Todavia, no Brasil, a negligência estatal e a liquidez na formatação do convívio humano geram uma nefasta falta de empatia nas relações sociais.

Em primeia análise, convém ressaltar que que a falha estatal resulta em lacunas educacionais nocivas à empatia. Sob tal ótica, o artigo 6° da Constituição Federal de 1988 dispõe acerca da educação como imprescindível à cidadania, por tratar-se de direito social. Na prática, contudo, se observa um processo formativa focado, apenas, em letrar, minimamente, o indivíduo, ferindo o que preleciona Paulo Freire. Com isso, gera-se um corpo social lamentavelmente apático, que não se engaja em causas de essencial importância, como a luta pela repressão de crimes, por não se sentirem atingidos. Portanto, a falta de empatia nas interrelações sociais perpetuam males da sociedade.

Outrossim, há a líquidez nos liames humanas da atualidade. Nesse viés, Zygmunt Bauman afirmou que, pela velocidade com que a atual sociedade troca informações, os relacionamentos estão efêmeros, egoicos e líquidos. Em solo pátrio, a situação não destoa, haja vista que as redes sociais centraram a atenção do ser humano em uma perspectiva intrassubejetiva, pois, o âmago da vivência humana virtual está no próprio indivíduo, impossibilitando, infelizmente, que essa pessoa sinta dor pelo outro.

Nesse imbróglio, cabe ao Ministério da Educação, por meio de ato regulamentar próprio, inserir, na Base Nacional Comum Curricular, aulas sobre empatia, com abordagens sociológicas e filosóficas, aplicadas às relações sociais, validando o processo formativo de Freire e a Constituição Cidadã. Ademais, urge que a mídia produza vídeos interativos voltados às redes sociais - como o Twitter e o Instagram -, ensinando os usuários desses sistemas a se sensibilizarem com questões alheias à sua perspectiva indivual, para, assim, formar uma sociedade empática.